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Aventuras


QUANDO UM SONHO SE REALIZA NUM ÚNICO VÔO

Em 1966 nunca havia voado. Só conhecia alguma coisa de aeromodelismo que praticava com meu primo ( aqueles U-control).

Naquele ano procurei o Aeroclube de S. Leopoldo-RS pensando apenas em fugir do serviço militar obrigatório como meu primo havia feito ao habilitar-se em planador no Aeroclube de Vôo a Vela Albatroz.

Nunca havia tido nenhum contato com aviões até aquele momento e então lá estava eu diante de um belo PT-19. O Cmte Cavedon fazia a inspeção externa e eu o observava curioso. Não lembro quem puxou a conversa, se eu ou ele, mas acabei sendo convidado para voar de saco naquele vôo.

Acrobacia na primeira experiência. Foi assim que me apaixonei pelo vôo e mudei todos os meus planos de vida. Inicialmente pretendia ser Eng Agrônomo.

Pus na cabeça que faria concurso e entraria para a EVAER, que ainda existia naquela época, e formava os pilotos para a VARIG.

Já sendo PP e fazendo minhas horas de vôo para poder fazer a Licença de PC-Piloto Comercial, conheci a FAB através da Esquadrilha da Fumaça e aí, nova mudança de rumo: seria oficial da FAB e voaria na Fumaça ( não tinha idéia de quanto se tem que ser bom para poder pertencer a este grupo seleto).

Depois de 5 anos de muito estudo e sacrifício sai oficial aviador e fui indicado para a aviação de caça. E o rumo mudou novamente, até porque a esquadrilha foi desativada. E o velho sonho de voar os T6 na ala se foi por água abaixo.

Aí , passados 36 anos do meu primeiro vôo, o EDO me convidou para voar o T6 laranja na Esquadrilha OI. Depois de velho iria realizar meu sonho de juventude.

Até este dia tínhamos feito apenas uma “brincadeira” com dois aviões lá no BROA no dia seguinte ao meu solo oficial na máquina ( antes disso havia feito dois vôos solo um  23 anos atrás e outro a 11 anos).

Na EXPO AERO BRASIL não pude voar com a esquadrilha porque era o Diretor de Operações e o Décio não me deixou participar. Além disto, não havíamos treinado. O chefe Ribeiro Jr voou de n 3.

Estava tudo engrenado para eu retornar ao Rio junto com o Machado e o Colvara no DC-3, quando surge a idéia do vôo de foto. 

Voar com o “laranja” de no 3 e ainda na ala do DC-3 seria meu batismo na Esquadrilha OI. Imaginem minha excitação naquela noite. Tínhamos que engrenar o paquera e o fotógrafo. Após falar com o Juca para oferecer-lhe esta oportunidade única de participar desse voo e fazer uma reportagem, e diante de sua negativa, saí à procura do JAPA. Encontrei-o atrás de um trailer arrumando a bagagem na moto para ir embora. Esta ele me deve para o resto da vida. O "paquera" seria o SKYVAN do Ricardo pettená.

Tudo brifado no dia seguinte, fomos para os aviões. O T6 laranja, PT LDO estava com problema de alternador e a bateria estava fraca. Não deu partida. Cheguei a “ver” o Edo e o Ernani decolando e eu groundeado porque a P... da bateria estava fraca. Meu Santo é forte e o Jorge Stocco veio em meu socorro. Só conseguiu fazer aquele radial funcionar depois que fez uma “chupeta” nas baterias que estavam na mala do Galaxie do EDO.

Aí o sangue voltou a circular normalmente e decolamos. Fui me achando na posição de ala à esquerda do “verdinho” enquanto aguardávamos a decolagem dos demais.

Aí reunimos no DC-3. A primeira foto seria com a esquadrilha escalonada à direita do DC3. Depois voamos com ele de líder. na outra ele virou o "ferrolho" fechando a formaçào "diamante' com os T6s. As fotos "falam" mais e melhor do que eu poderia descrever.

Comparável mas não tão emocionante foi um vôo que fiz com 36 F-5 na ala.


 

 

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O DC3 de "ferrolho"
O DC3 de líder
escalonada
só os T6s