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Traslados


AG HUSKY DE DODGE CITY ATÉ CAMPO NOVO DOS PARECIS

Desde 1999 quando trouxe o SHOWCAT do Sergio Frigo no qual o Pedrinho Melo leva a Martinha para passear em cima da asa, que eu não ia aos EUA para trasladar um avião. Dia 07/03/05 a noite eu embarquei pra lá com a missão de trazer o N2888J, um AG Husky feinho, feinho que o Helio Pires e o Itamar Nogueira compraram. 

Fui num VARIG comandado pelo Luis Buzato tendo o Raphael como copila. De lá voei pra DENVER pela United e finalmente, num BEECH 1900D, cheguei a Dodge City- Kansas, famosa pelos seus Xerifes Wyatt Earp e Bat Masterson, cuja historia é contada no BOOT HILL, o museu da cidade.

Depois de um vôo de experiência, ter calculado a navegação ate Americus na Geórgia, no dia 10/03 sai de lá tendo que fazer 4 reabastecimentos para voar 800 NM pois não havia sido instalado o Kit de traslado para aumentar a autonomia, o que seria feito em Americus. Decolei as 0730. Voei para Bartersville. Abasteci e decolei para Petit Jean. Pousei lá mas não tinha avgas. Decolei para Morrilton. Abasteci e decolei para Winona. Lá não abasteciam também mas o cara quebrou o galho. Decolei para Tallassee. Estava em cima da hora. Tinha 15 minutos pra abastecer e decolar. Não havia ninguém no hangar. Fechei o avião e fui a pé até um campo de beisebol onde um cara me deu carona até acidade. 

No dia 11/03, 6a feira, acordei as 0630 e desci para a portaria as 0700. Aguardei a chegada do primeiro funcionário do hotel para que o gerente pudesse sair e me levar até o campo. Chovia fino e fazia frio. Cheguei no hangar que continuava como na véspera: “nobody there”. Resolvi decolar para o aeródromo mais próximo. Na rota não havia nenhum então escolhi um a 10 milhas à esquerda.. Tuskegee é o nome, dado em homenagem a um morador da cidade que tornou-se herói na WW II fazendo parte daquele famoso esquadrão de P-40 composto só de negros. Pousei e não havia ninguém no campo. Resolvi aguardar. Chegou um carro e o cara veio falar comigo. Era um piloto de Skylane ( dono de 2) que vive lançando PQD. Disse que as 0900 deveria chegar o dono do hangar e do combustível. Chegou, abasteci e decolei. Novamente um bom vento de cauda e em 40 minutos estava em Americus- Geórgia. Encontrei o Frank Williams que já me esperava. Entreguei o avião para fazer a inspeção de 100 horas, instalar o transponder e fazer o Export Certificate e fui para o Holliday In. 

Uma semana sem nada para fazer, numa cidade muito pequena. No dia 18/03 finalmente o avião estava pronto e me preparei para iniciar o traslado mas deu zebra: vazamento de gasolina no hoper, o tanque onde o produto é levado e que foi transformado em tanque de combustível. Seriam mais dois dias para secar o selante e resolvi ir a New Smyrna-FL para conhecer o sensacional avião da Four Winds do qual já escrevi uma matéria.

O Jerry chegou junto comigo as 7 horas da matina e foi abastecer enquanto eu tentava fazer o plano. Quando cheguei no avião ele já tinha colocado 174 gl mas havia muito vazamento. Levamos 0230 para esvaziar o hoper. Só resolveu o vazamento ao meio dia. Paguei a gasolina , dei partida e quando fui checar o tanque no hoper o motor parou. O sistema instalado consistia de uma seletora que permitia que a bomba de combustível do motor puxasse das asas ou do hoper. Tentei mais 3 vezes mas o motor parou em todas. O Paul, chefe da oficina, foi chamado. Ele drenou o ar da mangueira e tudo funcionou. Ele me alertou que o retorno do excesso puxado pela bomba, quando selecionado para hoper, seria enviado para as asas.

Decolei de lá às 13:00h. Dei dois 360o sobre a pista checando o combustível e, como tudo estava OK, botei a proa Sul e voei para Albany( KABY), Cross City (KCTY), Kissimmee ( KISM) e Fort Lauderdale( KFXE). Deu 0415 de vôo. Havia decolado com 60 gl no hoper e 52 nas asas. Após ter voado usando o combustível das asas passei para o hoper mas, com 01:40’o motor parou. Voltei para as asas e ele pegou novamente após eu ter ligado a booster. Voei mais 0105 nas asas ate pousar na 08 de KFXE. Fui autorizado a taxiar pela 13 e no final dela estava no patio da Banyans. 

A primeira coisa que fiz foi abrir e checar a quantidade de combustível no hoper: estava vazio. Em 0140 foram os 60 gl do hoper, 28 consumidos e 32 que retornaram para as asas. Anotei a informação: 35 gl/h saem do hoper quando a seletora está naquela posição.

Na segunda feira cedinho fui para Miami. Lá de Americus, pela Internet, entrei no site da Embaixada Brasileira e achei telefone e endereço do nosso Consulado naquela cidade. Entrei em contato telefônico para saber da possibilidade de “consularizar” o Bill of Sale * do avião. Foi-me dito que bastava registrar o cartório no Consulado, o que foi passado para o cartório lá de Dodge City. Aí fui procurar o Consulado lá em Coconut Grove, no endereço que anotara do site da Embaixada. 

Finalmente, depois de tanto tempo longe de casa me senti novamente um brasileiro: o Consulado mudara de lá nove meses atrás e a Embaixada Brasileira nos EUA não atualizou o endereço. Um vigia me deu o novo endereço e pra lá me dirigi. Ficava exatamente onde eu deixara a Highway ao chegar em Miami meia hora atrás.

Lá, mais uma demonstração do que é ser brasileiro: entreguei o documento e me mandaram voltar duas horas depois. Voltei, esperei na fila e , na minha vez, fui informado que a consularização só poderia ser feita em Houston: problemas de “jurisdição”, segundo o diligente funcionário. Reclamei disto pois este “detalhe” burocrático me faria voar 500 NM a mais e do endereço errado. Quanto ao endereço ele disse que eu pesquisara no site errado. Eles não tem nada a ver com a Embaixada do Brasil pois trabalham no CON-SU-LA-DO, assim mesmo, soletrado.

Sem mais a fazer por lá,voltei para Fort Lauderdale para preparar a saída do dia seguinte. Tive que ir atrás domeu bote que eu enviara para a SURVIVAL para fazer inspeção, comprar um GPS Garmim 96, calços pro avião, etc.

Dia 22/03-3a feira, acordei as 0630. Comi uma maça. Fui para o aeroporto. Preparei o avião e decolei. Teto baixo, voando a 800 pés. Vento forte de proa. VS 76 Kt. Sobre a pista de St Andros, depois de 02:30 horas de vôo, troquei para o hoper e o motor parou. Boster ligada e voltei para as asas e ele pegou. Voltei ao hoper e parou novamente. Na hora me toquei da “mancada” que dera: lembram que o motor parou na ida para Fort Lauderdale? Pois é: a mangueira estava com ar e eu esqueci de “sangrar”. Já estava descendo para pousar por lá quando, insistindo na boster, ele pegou e firmou. Fiz duas curvas de 360o sobre a pista e ele “segurou”, assim resolvi prosseguir na proa de Providenciales. Resolvi subir e passar para o topo. Voei a 5500. A VS melhorou e foi para 100 Kt. Foram 05:42 horas até lá.

Quantas mudanças por lá nestes últimos anos. Um pátio só para as aeronaves da Aviação Geral, tapete vermelho na porta do avião ( até para o meu feiíssimo Ag Husky), burocracia facilitada e ali mesmo no terminal, auxílio para procurar hotel, etc. Alta temporada e hotéis lotados. O único era o Royal West Indies Resort que custou 216 US. 

Dia 23/03- 4a feira o destino era St Marteen. Depois de 06:05 horas cheguei na bela ilha metade holandesa e metade francesa. Lá as dificuldades de sempre: pátio distante e nenhum apoio à aviação miúda, talvez porque o outro pátio, o da aviação comercial e executiva estava lotado como nunca vira antes. Por alto uns 40 aviões executivos dos grandes, até um daqueles da Boeing. Como sempre fiz, aluguei um carro e fui dormir em Port Marigot, a capital do lado francês que é muito simpática. Lá jantei na Brasserie de la Gare e fui dormir.

Na manhã seguinte voltei cedo para Pricess Juliana, o aeroporto de lá e abasteci. Não tinha óleo e eu necessitava completar. O abastecedor, que conhecia o Simioni lá de Lençóis, conseguiu 3 litros.Decolei as 07:40 e subi para o FL 55, depois 75 e finalmente o FL115. Em ET Joshua fechou e, para manter no topo teria que subir mais ainda. A camada à frente parecia não ter “buracos” e resolvi descer enquanto podia manter VFR. Consegui visibilidade horizontal com 300’ no buraco onde desci. Quando aproei Piarco que fica na Ilha de Trinidad, havia um enorme CB cuja base quase tocava na água. Pensei em voltar e pousar em Joshua mas, pelo rádio, vi que já estava fechando para operação VFR e o jeito era prosseguir. Como não dava para ir em frente, tinha que contornar o CB e o fiz pela direita. Sábia decisão pois minha VS chegou a 140 Kt ( graças ao professor de meteorologia que ensinou que, no hemisfério Norte a baixa pressão gira no sentido anti-horario). Desviei 30 milhas para a direita para fugir do CB voando baixo( abaixo de 500’) e na chuva. Passei ao lado de Granada. O tempo melhorou e subi para o FL045 até chegar em Piarco para minha última passagem por aquele aeroporto. Na próxima viagem pousarei em Tobago, como sempre fui aconselhado pelo Cmte Machado lá do ARGS.

Depois de voar 06:00 horas, enfrentei a maior “burrocracia” de toda a viagem. Me mandaram estacionar num “finger”, ao lado de um Boeing da United. Me levaram para o aeroporto onde preenchi e entreguei 9 General Declaration( saúde , imigration e customs). Aí me deixaram sair para o avião , dei partida e fui para o aeroporto antigo onde deveria pernoitar. Estacionei no lugar onde fiz das outras vezes pois não tinha ninguém no pátio. Depois de ter que dar partida pra encostar na bomba de combustível e outra pra retornar ao estacionamento, consegui sair do aeroporto depois de muitas explicações ao guarda do portão. Aproveitei para adiantar o expediente e fui até a TWR antiga onde preenchi o Plano de Vôo para a manhã seguinte. 

No dia 25/03- 6a feira, acordei as 06:00 h. Meia hora depois estava tentando entrar no aeroporto pelo Embarque Domestico. Não autorizaram e me mandaram para o Embarque de Helicópteros. Não autorizaram e me mandaram para um portão de funcionários. Depois de muitas explicações me deixaram entrar. Dei partida e fui para o outro lado. Demorou muito até conseguir autorização para cruzar a pista e, quando consegui já o fiz embaixo de pesada chuva. Estacionei novamente num “finger”. Levei uma hora para conseguir entrar no aeroporto. Fiz a Saúde, Imigração e Customs. Aí, ninguém me autorizava a voltar para o avião. Depois de várias tentativas, um despachante ( descobri que lá, qualquer avião que não seja de linha regular, contrata uma “agência” para fazer o despacho da aeronave e tripulantes) me ajudou a voltar para a pista e me levou até o avião. Ele tinha um crachá e uma senha para abrir as portas de embarque. Decolei e voei 0600 horas até Cayena. 

Lá encontrei um monte de brasileiros no Restaurante La Taverne, cujo proprietário, o Simões, e seus irmãos, são amigos do Norton Rapesta, amigo meu que já foi Cônsul por lá. Impressionou o tanto que falaram bem dele naquela noite. Fiquei pensando lá com meus botões: fosse ele o Cônsul lá em Miami e eu talvez tivesse resolvido o problema do Bill of Sale. Que é possível é pois em 1996 tive o mesmo problema só que foi resolvido porque o dono do avião que eu trazia era amigo de um Embaixador. Bastou uma ligação dele para o Cônsul e o documento foi consularizado. Afinal, sempre achei que a principal missão do consulado era ajudar os brasileiros no exterior.

26/03/05 SAB Como sempre, a burocracia em Cayena é fácil. Decolei as 08:10h e cheguei a Macapá as 11:00h. O teto estava a 1000’ e o tempo ameaçava fechar. A idéia era fazer rapidamente a papelada ( Autorização de Permanência da Receita Federal e Autorização de Sobrevôo do DAC) e decolar para pernoitar em Itaituba no Pará.

Infelizmente eu estava no Brasil e logo senti a diferença. Pela primeira vez durante toda a viagem tive que mostrar minha habilitação. Comprovei pessoalmente o que já disse ao DAC: esta carteirinha de piloto em PVC é muito bonitinha mas não funciona. A moça da SAC me perguntou qual era a validade da minha habilitação e eu disse que era só ela olhar no sistema. A resposta: - Ah! Moço.. o sistema está fora do ar! Felizmente ela não me proibiu de decolar. Desta vez a culpa foi da Receita Federal pois, apesar do Aeroporto de Macapá ser Internacional, a liberação de aeronaves deve ser feita por um “Auditor” e este não fica no Aeroporto. Foi chamado mas disse que só viria a tarde. Marcaram para as 14:00h e ainda me exigeiram cópias dos documentos da aeronave. Como no aeroporto não se podia fazer cópias, o Sergio Miranda, meu amigo, que fora ao aeroporto me entregar o Seguro RETA do avião, me levou ate a cidade para tirar xerox dos documentos para a receita. Fui liberado depois das 14:30h não sem antes escutar do auditor que ele estava “quebrando meu galho” pois era um sábado e ele estava ali perdendo suas horas de lazer. 

Não dava mais para chegar em Itaituba diurno e resolvi ficar. Fui para a cidade com o Sergio. No caminho encontramos o Paulo e fomos tomar cerveja na beira do rio onde comi um excelente peixe, o filhote.

27/03, domingo de Páscoa, acordei as 0600 pois queria chegar a Campo Novo do Parecis, meu destino, naquele dia. No aeroporto fui fazer o plano enquanto o agente da INFRAERO fazia meu recibo das taxas. Ele disse que me entregaria no avião. Andei pra burro ate a TWR que fica a uns 200 metros do aeroporto. Na volta preparei o avião e o cara não apareceu com o recibo das taxas. Fui ate a sala e ele estava todo enrolado. Levou muito tempo para conseguir preencher os papéis. Consegui decolar as 08:30h. Voei 0315 e, antes de pousar em Itaituba, fiz umas passagens na casa do Armando Palla, meu velho amigo dos tempos de piloto de garimpo. O tempo não estava lá estas coisas para prosseguir. Almocei com na casa do Armando uma bacalhoada que a D. Maria fizera para a Páscoa e passamos a tarde conversando.

Choveu a noite toda. Pela manhã as nuvens estavam coladas nas árvores, sem a menor chance de prosseguir. Como ia ficar por lá, resolvi lembrar dos velhos tempos e fui até a pista do Creporizão no Navajo do Armando. Voamos IFR até a cabeceira da pista. De lá fomos ao Creporizinho para buscar 3 passageiros e pousamos 1 minuto antes da chuva. Depois de ter que retirar vacas que circulavam na pista. Decolamos na chuva de volta ao Creporizão. 

29/03- 3a feira Acordamos as 0600. Choveu a noite toda mas as nuvens estavam mais altas que na véspera.. O Armando mais seus filhos Beto e Junior e o Edu ( um PP de Presidente Prudente que esta lá para fazer horas de vôo) foram me levar ao Aeroporto. O Armando queria voltar em casa para buscar o GPS e me passar as coordenadas das pistas de garimpo da minha rota mas falei que não precisava e ele desistiu. Me ajudaram a preparar o avião, tiramos fotos, nos despedimos. Decolei de IH 07:55h e voei na proa 210o . Tive que desviar para a esquerda pois havia uma grande formação na rota. Pela esquerda parecia estar melhor, na proa de Alta Floresta. Fui subindo até o FL 085. Estava cheio de pequenas camadas em vários níveis. Cheguei a estar a 130 NM afastado de IH quando as camadas começaram a se juntar e eu a perder as referencias de horizonte. Para a direita a escuridão era grande e para a esquerda também ficara ruim. Resolvi voltar. Quando estava a 122NM de IH, sobre o Rio Jamanxim, havia um enorme buraco. A chuva estava fraca e resolvi descer pra ver se dava pra ir por baixo. Desci até 2500’e constatei que estava tudo colado e a camada era contínua. Subi novamente para o FL055 para voltar para IH. Ai achei que pro lado do Tapajós estava melhor e voei pra lá. Foram umas 20 NM e passei um pouco do que seria minha rota DCT SBIH para SWCP. Coloquei novamente a proa do destino e voei numa chuva fraca. Não via nada para a frente mas enxergava a mata abaixo, entre as “barba de bode”. Já estava a 140NM de IH quando a chuva apertou e a “barba de bode” virou uma “estrataria” colada e contínua.Como me arrependi de não ter deixado o Armando buscar o GPS e de ter plotado as pistas da rota!! Eu sabia que estava a pouca distância do Creporizão, e que o Cuiu Cuiu também estava próximo mas voando baixo não dava pra achar sem o GPS. Fiz 180o pra voltar mas tinha piorado muito e já começava a perder a referencia de horizonte. Ai voei na proa de uma pista de garimpo que eu marcara no GPS quando a sobrevoei. Estava a 2 NM. Sem ver quase nada devido a chuva, cheguei na vertical e desci para o desmatamento. Fiz uma passagem nela e achei que dava pra pousar sem quebrar. Não tinha muita alternativa. Aproximei e pousei em 200 mt. Taxiei ate a cabeceira de cima e cortei o motor em frente à cantina. Tinha voado 03:00h horas e ainda estava a 149 NM de IH. Era 1100 horas da manha A chuva apertara. Corri do avião até a cantina e constatei que estava abandonada. Estranhei o estado de abandono pois tinha certeza de ter visto um par de máquinas do lado esquerdo da cabeceira que pousei. Coloquei uma capa de chuva que trago sempre enrolada no meu colete e desci a pista pra ver se achava alguém. Achei o tal “par de máquinas” mas não havia ninguém Lembrei que o Armando me contou que muitos garimpeiros simplesmente abandonaram tudo e foram embora deixando as máquinas e tudo o mais para trás.

Nisso ouvi um barulho de motor e vi chegando uma camionete pelo meio de uma estradinha enlameada. Dentro, um garimpeiro, o Gilmar, e sua esposa que são de Barra do Garças e a cozinheira do garimpo Nova Descoberta.

Expliquei o motivo de estar ali e perguntei se ele tinha um rádio por lá. Me levou na camionete( fui na caçamba) ate a barraca deles que ficava afastada um Km. Tentei falar com o Creporizão pois era a única freqüência que ele conhecia mas não consegui. A pessoa que entendia do rádio só chegaria as14:00h pois era o horário combinado com o piloto que voaria do Creporizão pra lá. Descobri que estava a 8 minutos de vôo daquela pista ( cerca de 18 NM).

Me convidaram para almoçar e comi uma carne de paca na panela como poucas já havia experimentado.

A chuva diminuiu e achei que o teto tinha melhorado. Os “piuns” (mosquitinhos que dão uma picada ardida pra cacete) estavam chupando todo meu sangue. Dormir ali nem pensar. A esposa do Gilmar já havia pego duas malarias. Resolvi decolar e tentar chegar no Creporizão pois lá pelo menos teria onde dormir com menos desconforto. Deixei um bilhete para o piloto do avião que viria a tarde trazer o dono do garimpo. No bilhete eu dizia que iria tentar seguir para o destino. Se não desse, tentaria achar o Creporizão e por ultimo, voltaria para Nova Descoberta.

O Gilmar mais a esposa me levaram ate o avião e eu decolei as 13:33h da pistinha de 400 metros, botei o nariz na direção que o Gilmar apontou como sendo de onde vinha o avião do Creporizão e voei uns 3’. Estava muito ruim e tinha que fazer muito desvio da rota pra conseguir manter contato com o terreno ( voava rente as árvores) e resolvi voltar pra Nova Descoberta. Ai olhei na direção da minha rota para o destino e achei que estava melhor. Botei Campo Novo do Parecis na proa e voei umas duas horas colado nas árvores. Passei sobre o Garimpo São Raimundo que reconheci pois vi o Bandeirante deles na pista, e ai começou a melhorar e fui subindo. Voava no FL 065 quando escutei na freqüência do Centro Amazônico um GOL falando. Se não me engano era o GOL 7654. Chamei e ele fez uma ponte mandando ao ACC Amazônico a msg comunicando minha posição: estava a 352 NM de SWCP ( meu destino) e a 138 NM de Alta Floresta. Recebi um código transponder e a instrução de prosseguir mantendo o vôo visual. 

Obedeci e prossegui no meu vôo que, depois de alguns desvios pra evitar formações mais pesadas, acabou em Campo Novo dos Parecis as 16:30h no horário local ( uma hora menos do que Brasília) tendo voado 04:00 horas mais.

Entreguei o avião ao Edmar, arrumei toda minha bagagem nas bolsas com a ajuda da esposa dele ( o avião não tem bagageiro e as bolsas vieram vazias. Minhas coisas foram acomodadas em sacos plásticos e enfiadas em todos os espaços vazios que havia no avião), tomei um banho na casa do guarda campo e eles me levaram ate uma empresa que faz o transporte terrestre entre a cidade e Cuiabá ( a meu ver a parte mais perigosa da viagem). Depois de 06:30h e duas trocas de condução cheguei no Hotel Lãs Velas em Cuiabá-MT.

No dia 30/03- 4a feira voei de TAM para o Rio após uma escala de 04:00h em Brasília. 

 

 

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