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Traslados


CRUZANDO OS ANDES NO SHOWCAT

O SHOWCAT NA FIDAE 2000


OS PREPARATIVOS

Ai o ShowCat ainda não estava pronto e a Marta já havia sido convidada para se apresentar na FIDAE 2000 em Santiago do Chile. O Pedrinho trabalhava até às madrugadas para dar conta de fazer tudo o que o Fernando Almeida recomendara. Até um “suporte” novo ele fabricou. Olhem só a responsabilidade: se destinava a “suportar” ninguém menos do que sua noiva. Se fossem casados há alguns anos, pelo menos... 

Finalmente fui chamado a S. Miguel Arcanjo para o primeiro vôo. Acharam de me convidar pois eu tinha mais experiência que o Pedrinho, neste tipo de avião.

O avião ficou melhor do que o original, depois de “reconstruido” pelo Pedrinho e seu pessoal.

Agora faltava pouco: o Pedrinho tinha que solar o avião e ganhar alguma intimi-dade com ele. Depois deveria acostumar-se a manobra-lo com uma mulher andan-do entre as asas do biplano, indo até o montante externo, voltando e subindo na asa superior, etc. 

Agora, para o show, só faltava ele ficar apto a fazer loopings e tounneaux com ela “montada”nos estais entre as asas e sobre o suporte que fica na asa superior.

Mas estava tranqüilo pois ele teria quase uma semana para fazer isto tudo.

INDO PARA SANTIAGO...

Os Chilenos queriam que a aeronave estivesse lá uma semana antes do início da feira, em 27/03. Eu iniciei o traslado cinco dias antes dela começar.

Se tudo desse certo eu chegaria na véspera da abertura. Só que não deu. Já na saí-da, decolando de S. Miguel Arcanjo, cheguei a 55 nm de Curitiba mas, depois de “ciscar” por entre morros, tive que retornar devido ao mau tempo. 

No dia seguinte , não sem andar voando a baixa altura, consegui chegar ao Baca-cheri onde abasteci e voei para Belém Novo.

O mau tempo me deixou novamente “groundeado” por mais um dia e só no sába-do decolei cedo para o Salgado Filho para fazer a “burocracia’ de saída para vôo internacional.

O Hermes e o Rafael que deveriam chegar cedo pois meu irmão já os esperava, demoraram um pouco. Eles, com um Cessna 402, iriam ser meus “anjos da guar-da” até Santiago.

Com um plano visual até Melo, no Uruguai, decolei de P. Alegre.

Lá abasteci e cheguei a D. Torcuato, em Buenos Aires, no final da tarde. Comecei a chamar a TWR lá no meio da Bacia do Prata, sem resposta.

Fiz o procedimento de chegada visual. Da Ilha Martin Garcia aproa três torres que ficam à direita da cidade e de lá aproa o símbolo da FORD que fica próximo a uma grande “highway”. Dali, mantendo a “Highway a esquerda para evitar o trá-fego de outro aeródromo que fica próximo, entra-se na perna do vento de D. Tor-cuato. Até ali eu não recebia resposta da TWR. Quando reportei “Downwind leg runway 23” a moça que controlava o tráfego mandou que eu reportasse na “perna do vento da pista 23”.Na hora sai pela direita achando que estava no tráfego do aeroporto errado e fiquei circulando tentando entender o que estava acontecendo.

Nesta hora o Hermes que havia pousado um pouco antes entrou na fonia, falando em português, dizendo que a TWR me autorizava o pouso. 

Depois do pouso, descobrimos depois que a moça não falava inglês, embora Don Torcuato seja internacional.

Feita a “burocracia” de chegada taxiamos as aeronaves para o hangar da TIMEN em cujo pátio ficariam estacionadas.

Preparados para o pernoite, deixamos as aeronaves e fomos para a cidade onde nos instalamos no Hotel e tomamos um bom banho.

Já nos esperava o Arnaud, meu amigo da OXYGEN, para tomarmos um Cham-pagne em sua casa, já que mora em Buenos Aires onde está implantando a empre-sa francesa.

De lá fomos à Ricoleta onde saboreamos uma bela “parrijada” regada a bom vi-nho Argentino.

Dia seguinte pela manhã fomos para o aeroporto embaixo de uma chuva fraca.

Ficamos na “sala de pilotos” da TIMEN aguardando uma melhora no tempo. O teto baixo até não era o problema pois dava para voar. O que me impedia de deco-lar era a chuva que me “ensoparia” todo durante o táxi o que me congelaria em vôo, depois.

Como às 12 horas já não adiantaria mais decolar , uma vez que eu não chegaria a Mendoza antes do por do sol, aceitamos o convite do José Beraza, dono da TI-MEN, para almoçar em sua residência.

Tivemos bons momentos relembrando a época em que nos conhecemos, quando ele implantava a CHINCUL no Brasil a cerca de 15 anos atrás.

Nesta noite dormimos no alojamento de pilotos que existe no seu hangar, para estar mais próximos do avião e poder decolar cedo no dia seguinte.

Na segunda feira bem cedinho decolei para La Bouillage onde o Beraza havia providenciado com o Aeroclube local a gasolina do reabastecimento. Pousei na bela pista de grama e estacionei na frente do hangar. Fui recebido pelo Sr Artaza, responsável pela entidade e que me ajudou a colocar a gasolina com o auxílio de um balde de 20 litros. Coloquei o suficiente para poder chegar a Vila Reynolds onde o abastecimento não era manual.

Lá reabasteci novamente e segui com destino a Mendoza onde os “anjos da guar-da” já me aguardavam ( passaram na vertical de La Buoillage enquanto eu abaste-cia).

Chegando próximo de Mendoza ainda não havia conseguido contato com o Con-trole de Aproximação. Já bem perto tentei com a TWR e nada.Chamei em todas as freqüências usuais para torre de controle sem resposta. Até na freqüência do Solo eu chamei quando entrava na perna do vento balançando as asas.

Sem tráfego nenhum eu pousei e me dirigi ao pátio principal onde estava o Cessna 402 rodeado por seus tripulantes e passageiro e o pessoal das administração. 

Ai, falando com o Rafael, descobri que todas as freqüências de Mendoza haviam trocado há pouco tempo e que estas mudanças constavam de seu ROTAER que era de edição recente. O meu estava desatualizado. O interessante é que, em Bue-nos Aires eu chequei as freqüências com o Rafael e, como não havia modificação em nenhuma, deixei de conferir exatamente Mendoza 


CRUZANDO OS ANDES 

Lembrei de Mermoz, Guinemmer e Saint Exupéry. Lembrei dos vôos pioneiros da Aeropostale.....

Senti a emoção que, imagino, sentiram os desbravadores quando descobriram a passagem pelos Andes.

Recordei do filme que assisti no “La cupole” em Paris onde o tema era a tentativa de travessia da cordilheira e que resultou no pouso forçado que obrigou Guinem-mer a sobreviver em meio à neve gelada das montanhas.

Tentei imaginar em que parte daquela barreira de pedras que se interpõe no cami-nho do aviador que tenta passar de Mendoza para Santiago do Chile, o aviador francês jogou seu avião naquela noite em que quase perdeu a vida.

O frio que ele sentiu eu não imaginei. Senti-o no vento gelado que invadia a car-linga aberta do ShowCat que eu levava para participar do show aéreo da FIDAE 2000.

Minha rota inicial, planejamento feito com poucas informações , previa a passa-gem da cordilheira lá bem ao Sul, via Bariloche, o que me obrigaria a voar muitas horas a mais. No primeiro contato com pilotos argentinos já encurtei a rota em muitas milhas pois descobri que havia outra passagem no través de Malargue. Voar a rota mais curta, ou seja, via o Cristo Redentor, nem pensar. Todos, com exceção de um piloto argentino, diziam que seria loucura tentar passar por ali, principalmente considerando-se a “máquina” que eu tripulava. 

Na realidade, ao decolar de Mendoza eu nem sabia se conseguiria subir até a alti-tude requerida para cruzar a “garganta” que se forma ao lado do Aconcágua e que fica exatamente acima do túnel por onde passa a rodovia que liga as duas cidades.

Meus “anjos da guarda” que me acompanharam desde Porto Alegre até Santiago num Cessna 402 ( Hermes, Rafael como pilotos e meu irmão Luiz como PAX)já haviam obtido todas as informações em Mendoza,inclusive souberam que , para pousar em Malargue para reabastecer, requeria uma autorização cujo pedido deve-ria ter entrado no DAC argentino uns três dias antes, ou seja, impossível de ser obtida.

Restava a passagem direta cuja autorização, pelas autoridades aeronáuticas argen-tinas, também era problemática. Só foi dada quando eu assumi todos os riscos pela empreitada. O fiz, pois a FIDAE já havia iniciado e eu, por causa de mau tempo na rota , não havia chegado com o avião que deveria fazer shows diários. Das três coisas que mais matam em aviação, uma delas é : “eu tenho que che-gar...”. As outras duas são: “minha namorada está me vendo...” e “ eu sou o mai-or...” . E lá estava eu “forçando a barra” , tentando chegar, como um principiante.

Na realidade o risco não era maior nem menor do que passar na parte mais baixa da cordilheira. A impossibilidade de um pouso de emergência existia em qualquer passagem que eu escolhesse.

A diferença maior estava na altitude que eu teria que voar e na “forte turbulência” que todos anunciavam existir à sotavento do Cristo redentor, turbulência esta que , para um piloto de planador , asa delta ou paraglider é decomposta em correntes ascendentes e descendentes.

É certo que os vôos de planador que fiz nos Alpes austríacos me ajudaram bastan-te na hora de avaliar as condições e usar as “ondas” formadas à sotavento das montanhas chilenas ou o “lift” nas encostas a barlavento das montanhas argenti-nas, dentro do vale no qual eu voei.

Usando somente a potência do motor, com 12.000’ a máquina parou de subir. Vo-ando na ascendente da “onda” consegui chegar a 14.000’, o que seria suficiente para cruzar o Cristo Redentor com 1500’de folga. 

Sabia que existia mas não acreditava que seria tão forte. E ela apareceu com toda sua força. Como conseqüência do término abrupto da “onda” quando a montanha de 20.000’ a bombordo acabou dando lugar à depressão onde está o Cristo a 12.500’ e ao “efeito venturi” que causa uma aceleração no vento na garganta onde o Cristo está, à descendente me jogou, num instante, a 12000’. Esta corren-te à sotavento da garganta é muito forte e assusta ao desavisado. 

Um avião, para vencer esta corrente descendente, deve ter muita potência de re-serva ou então, muita velocidade, e eu não tinha nenhuma das duas.

Tentei voltar para a onda na qual subira antes mas perdia na volta o que eu ganha-va na ida. Já estava vendo a hora que teria que fazer 180º e voltar para Mendoza, quando resolvi encostar na montanha do outro lado do vale, em frente ao Cristo. Torcia para que o vento ainda chegasse lá com energia suficiente para me dar a altitude que necessitava para passar o Cristo com segurança.

Foram necessários não mais que quatro ou cinco “bordos” para subir a 15000’.Vendo o Cristo lá embaixo, piquei o ShowCat na sua direção e passei a uns 500’ acima.

A preocupação com a falta de oxigênio durante o vôo alto eu não tinha, embora muita gente tenha se preocupado. O raciocínio é: se alguém vive nesta altitude, não será em uma hora que vou ter problemas. Na realidade a única diferença que senti foi uma certa falta de ar quando fiquei ofegante com um pequeno susto: a-pertando demais a curva para não sair do “lift” fiz a aeronave estolar o que ocasi-onou uma ameaça de parafuso, logo descomandado.Se não se levar nenhum susto e não for necessário fazer nenhum esforço excepcional, não há problema, pelo menos para quem tem boa saúde.

Do lado de lá, a barlavento, mantive o nariz embaixo e voei na maior velocidade que era permitida para a aeronave. Quase não perdia altura devido à ascendente que sempre existe onde o vento encontra a montanha. Acabei chegando sobre Los Cerrillos, o Aeroporto onde a FIDAE 2000 acontecia, a 7000’.

Fiquei circulando para perder altura enquanto admirava Santiago e as montanhas próximas.

Fui recebido no solo pela Marta, a Wingwalker que foi a maior atração do show aéreo, pelo Pedrinho, seu noivo e piloto do ShowCat nas apresentações e pelo Mario Morales que empresariou o show junto à organização da FIDAE.

Meus “anjos da guarda” chegaram mais tarde pois fizeram o caminho mais longo, via Malargue.


A FIDAE 2000

A FIDAE é a maior feira de aviação da América Latina. Lá estavam os F-16, Mi-rage 2000, Grippen e outros aviões de caça dos mais modernos.

A EMBRAER se fez representar por dois EMB 145 desenvolvidos para a vigilân-cia aérea, leia-se SIVAM, e por um Super Tucano.

A AIRBUS mandou um 340 cuja demonstração impressionou a quantos a assisti-ram. Nunca imaginei que fosse possível manobrar aquele gigante a tão baixa velo-cidade ali , na nossa frente, sôbre a pista e a pouco mais de 1000’ de altura.

O Galaxy C-5 foi visitado por milhares de pessoas.

Entre as dezenas de aeronaves que foram expostas na feira, até um pequeno avião russo estava presente.

O ponto alto do Show aéreo ficou por conta dos brasileiros: o SHOWCAT com a Marta e Pedro e o EDA, conhecido como ESQUADRILHA DA FUMAÇA que brilhou, como sempre, ofuscando os Falcones da Força Aérea Chilena.

A grande distância que separa Santiago dos grandes centros onde se pratica o ae-rodesporto torna difícil aos organizadores trazer grandes atrações para ter um show aéreo completo, não havendo nenhuma acrobacia individual.

Terminada a festa era hora de trazer o ShowCat para casa. Na segunda feira colo-camos de volta o tanque de traslado, abastecemos a máquina e na terça, pela ma-nhã, iniciei a volta.


O VÔO DE VOLTA

Para fazer o caminho inverso e passar o Cristo, na volta, tive que voar no rumo Norte com um vento de proa que me dava uma velocidade no solo de 37 kt.

Voei até a entrada do vale que leva à passagem pelo Cristo Redentor, entrei por ele mas, mesmo assim, cheguei na cara do Cristo abaixo da altura do mesmo.

Nesta hora a velocidade no solo já era de 100 kt pois, com a mudança de proa, o vento passou a entrar pela cauda.

Com o vento “encanando” no vale, tinha que ter uma forte corrente ascendente na “cara “ do Cristo, assim eu esperava. A corrente era necessária para me dar a altu-ra que faltava para passar a montanha. Por via das dúvidas voei próximo às mon-tanhas à Boreste do vale para, caso não surgisse a ascendente, ter espaço para fa-zer a curva e retornar.

Felizmente ela estava me esperando e, na horta certa , senti a forte pressão de bai-xo para cima, resultado da forte corrente que me jogou a 13 mil pés bem na frente da montanha.

Naquela hora, já “fora do sufoco”, consegui apreciar a paisagem que estava mag-nífica e bem diferente da vinda: nas duas últimas noites havia nevado bastante e as pedras que formam as montanhas estavam todas vestidas daquele branco que ve-mos nos cartões postais.

Segui pelo vale na direção Sul. A velocidade agora era de 110 kt pois, além do vento encanado que entrava pela cauda, ainda “ganhava” alguma energia nas “on-das” à sotavento das montanhas, o que me permitia voar com uma atitude picada.

Fui dosando a atitude com uma ligeira razão de descida de forma a chegar em Mendoza na altitude de tráfego.

Fiz a perna do vento já curtindo o calor do ar que contrastava com as frias tempe-raturas que enfrentara lá em cima. Girei a perna base , final e toquei. Os pés esta-vam meio entorpecidos pelo frio, apesar da bota forrada e das meias.

Correndo na pista sobre as rodas principais ( pouso de pista) o ShowCat começou a sair levemente para a esquerda. Dei um “cutuque” no freio direito e ele voltou mas passou um pouquinho do alinhamento da pista. Ai fiz pressão no freio es-querdo e, para minha surpresa não havia resistência nenhuma à minha pressão: estava sem o freio esquerdo. Com o leme todo aplicado , tentei segura-lo na pista mas não foi possível e lá me fui eu pela lateral direita da pista de Mendoza, em meio aos buracos e “cocurutos”. Para piorar a situação havia uma vala enorme que teimava em convergir com a nossa rota. Se entrasse na vala, com certeza quebrava o avião inteiro. Ai comandei um “cavalo de pau” pisando no freio direito e dando pedal à fundo.

Parei em meio à uma nuvem de poeira. Aparentemente o avião estava inteiro. Tentei taxiar mas não conseguia: o danado cismava em girar para a direita e eu não tinha o freio esquerdo para segura-lo. Depois de duas ou três tentativas desisti e aguardei os carros de bombeiro e a ambulância que vinham com sirene aberta em desabalada carreira.

Por meio de gestos pedi-lhes que empurrassem a cauda para que eu atravessasse a pista, de forma a não interdita-la, o que foi feito.

Já na via de acesso ao pátio de estacionamento, devido à dificuldade em conduzir a aeronave por seus próprios meios, mesmo com a ajuda dos “hermanos” que em-purravam a cauda, cortei o motor e desci da mesma. A esta altura do campeonato, já suava por todos os poros. A minha “indumentária” estava incompatível com o clima reinante que era de muito calor.

Tirei o Blusão de vôo, o pullower, abri a parte de cima do macacão de vôo e tirei o outro pullower de lã., a camisa de “gola roule”, a camiseta de algodão e só fi-quei com a camiseta de polipropileno, colocando novamente o macacão. Da cintu-ra para baixo fiquei como estava: com o macacão de esquiar na neve, o macacão de vôo, a ceroula de algodão e a ceroula de polipropileno.

Luvas eu usei três uma em polipropileno, a outra em “nomex” e a terceira daque-las de esquiar na neve, onde os dedos entram unidos e que eu tirava para poder acionar o GPS e os interruptores do rádio.

Empurraram o avião até o estacionamento e me levaram à administração onde o Oficial da Força Aérea Argentina, administrador do aeródromo, me conseguiu o apoio do Comandante de uma unidade aérea que possuía, entre outros, uma es-quadrilha de Sukhoys.

Com o mecânico fui ao avião e ele constatou que fora total ausência de fluido hi-dráulico que ocasionara a falha do freio.

Concertado o vazamento, reposto o fluido e drenada a linha, estava pronto para seguir viagem, o que fiz, decolando lá pelas duas horas da tarde.

Laboulaye era meu ponto de reabastecimento caso não conseguisse chegar antes do por do sol, o que acabou acontecendo.

Dei duas voltas sobre a cidade para avisar o Artaza que estava de volta e pousei. Estava um belo fim de tarde e parei novamente em frente do hangar do Aeroclube.

A noite fomos jantar juntos. No dia seguinte a meteorologia estava péssima. Bue-nos Aires e a rota estavam com forte nevoeiro e acabei abortando a ida naquele dia.

Ai, já que estava parado mesmo, fui para a cidade e comprei carne para fazer um “assado” no hangar do Aeroclube de Laboulaye. 

Enquanto o Artaza (ao lado)assava a carne, pousou um dos aviões do Beraza com dois pilotos que eu já conhecia. Pernoitariam em Laboulaye e estavam a fim de festa. Foram até a cidade e voltaram com mais carne e cerveja. Ficamos no hangar até tarde da noite, comendo, bebendo e contando histórias.

Decolei no dia seguinte cedo e cheguei a Buenos Aires onde fiz a burocracia e decolei com a proa de Melo no Uruguai, apesar do mau tempo anunciado.

Voei até lá, literalmente desviando das árvores, tão baixo era o teto. Na verdade só cheguei porque na vinda “decorei” a rota e tinha a certeza de que não havia ne-nhuma elevação no meu caminho.

Era uma frente que avançava célere em direção ao Rio Grande do Sul. E eu estava indo para lá!!!

Pousei em Melo, abasteci correndo e decolei antes que a danada da frente me al-cançasse novamente. Eu saíra dela a umas 50 NM antes de Melo.

Finalmente pousei em P. Alegre para fazer a alfândega já no final da tarde.

No dia seguinte passei por Lajes-SC onde pousei para reabastecer. Dali para S. Miguel Arcanjo passei na vertical de Rio Negrinho onde fiz um pouso apenas para dar um abraço no pessoal do Aeroclube, Klaus, Karen, etc.

Entreguei o Showcat são e salvo para o Pedrinho em S. Miguel.

Mais uma missão cumprida.

 

 

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