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Cronicas


PILOTAR OU VOAR????

Pilotar um avião. Parece fácil e é. Muito piloto faz um mistério danado mas eu penso que seja só para valorizar a si próprio. Os ultraleves estão aí para mostrar que com dez horas de vôo um leigo aprende a pilotar, com relativa segurança , uma maquininha que voa.

Pilotar bem já é diferente. Isto requer experiência e não são dez ou quarenta horas de vôo que vão fazer de um reles mortal, um experiente piloto capas de enfrentar tempestades conduzindo sua aeronave pelo mundo afora. Alguns bem dotados, aqueles que “já nasceram com asinhas nas costas”, conseguem ser “bons de pé e mão” mesmo com poucas horas de experiência de vôo e, desde que voando em volta do campo, obter a mesma performance de pilotos experientes. Pilotam bem mas ainda estão longe de ser “bons pilotos”.

A correta análise das condições meteorológicas e a navegação precisa, isto sem falar no vôo por instrumentos, aliados ao “pé e mão “ e à doutrina de Segurança de Vôo vão , aos poucos, separando os bons pilotos daqueles que serão medíocres a vida inteira.

O bom piloto pode conduzir a sua aeronave com precisão e segurança, tecnicamente. Mas pode fazê-lo mesmo sem gostar, apenas profissionalmente. Basta ter uma razoável inteligência, coordenação motora, dinheiro para pagar as horas de vôo necessárias, um bom Q.I. ( quem indicou) na hora de conseguir emprego e pronto: se tiver paciência e disciplina chegará ao topo da carreira, aposentar-se-á e nunca mais desejará ouvir falar de avião. Normalmente já comprou um barco a bastante tempo e bandeia-se de vez para o mar.

Voar é um pouco mais complexo pois aí entra um componente imaterial- a alma do aviador.

Os aviadores gostam de voar. Fazem da paixão, sua profissão, ou as vezes não, mas voam por puro prazer. São capazes de passar horas a fio observando uma andorinha fazendo acrobacias, um urubú divertindo-se no “lift”de uma encosta ou uma gaivota dando seus incríveis mergulhos, na busca do peixe.

Estes aviadores podem ser encontrados facilmente, durante os fins de semana, nos campeonatos de acrobacia, nas rampas de vôo livre, nos clubes de ultraleve, voando planadores ou praticando alguma modalidade de aerodesporto, ou seja, pagando para voar.

Na maioria das vezes são desquitados ou casados pela segunda vez, e as suas companheiras também gostam de voar, ou pelo menos curtem acompanhá-los nos seus programas. Alguns acertam na primeira vez e continuam, casados e felizes.

Durante a semana podemos vê-los nos escritórios, consultórios, ou até nas cabines dos aviões comerciais, “voando” aquelas máquinas, ao invés de simplesmente pilotá-las.

Decolar com um ultraleve, monoplace de preferência, num dia de Sudoeste forte, e que sempre entra limpo lá no CEU-Clube Esportivo de Ultraleves, no Rio de Janeiro, parando no ar ou até andando de ré e depois pousá-lo na vertical, à la helicóptero, é uma curtição.

Voar uma seqüência de acrobacia sem cometer erros nas manobras, dentro do “BOX” e com um avião “full acrobático”, ou então brincar de piloto de acrobacia com um MAI 890, aquele ultraleve biplano feito na Rússia, só é comparável à acrobacia em planadores.

Fazer um “cross country”de parapente, asa delta ou planador dá uma sensação de prazer dificilmente superável. Imaginem a satisfação dos integrantes do “clube dos mil “, os volovelistas que já completaram mil km num vôo de planador? Depois dá uma mão de obra do cão para resgatar a aeronave, mas qualquer um destes aviadores nunca exitaria entre pousar perto da decolagem para não ter trabalho ou curtir o seu vôo e depois batalhar o resgate.


PILOTAR É FÁCIL. PILOTAR BEM EXIGE EXPERIÊNCIA . 

VOAR É PARA QUEM PILOTA COM A ALMA.

 

 

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