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Cronicas


VÔO COMERCIAL, PANORÂMICO OU DESPORTIVO???

Como diferenciar um Vôo Comercial de um Vôo Panorâmico?

Quando eu voava no garimpo , na volta para Itaituba transportava garimpeiros e putas que saiam do mato desiludidos com a realidade da “corrida do ouro” ou ainda esperançosos mas tendo que ir à cidade para compras, negócios ou mesmo em férias.

A disputa pelos passageiros era grande pois todos os pilotos nos seus mais de 150 aviões que voavam por lá naquela época, queriam melhorar a “féria” do dia.

A ordem era natural: quem chegava primeiro lotava e saia, na maioria das pistas. Em algumas já havia os pilotos que tinham um acordo com o proprietário e tinham prioridade. Os outros pegavam a sobra.

Aí apareceu o Matsumoto com um Sêneca do qual não retirou os assentos (nos outros aviões os passageiros iam sentados no chão), servia lanchinho a bordo e cobrava o mesmo que nós. Concorrência desleal aquela. Várias vezes tentei convencer os garimpeiros de que eles estavam sendo “roubados” pelo japonês com o seguinte argumento: ele cobra 5 gramas de ouro e voa meia hora com você. Eu cobro o mesmo preço e vôo uma hora, ou seja, o dobro do tempo. Logicamente nunca convenci ninguém.

E se eu estivesse num Sítio de Vôo de ultraleves ou num Aeroclube e aparecesse alguém para voar? Se eu cobrasse o mesmo pelo dobro do tempo de vôo, com certeza os passageiros seriam todos meus.

Aí está uma das diferenças, a principal, entre o Vôo Comercial e o Vôo Panorâmico:

-Para quem quer apenas ser “transportado”, quanto mais cedo chegar, melhor;

-Para quem quer curtir um vôo apreciando a paisagem, quanto mais tempo voar, melhor. 


Como diferenciar um Vôo Panorâmico de um Vôo Desportivo?

Experimente colocar um avião de uma empresa de Táxi Aéreo num Sítio de Vôo de ultraleves e oferecer, pelo mesmo preço, que as pessoas que lá aparecem para voar o façam no avião e não no ultraleve. Em ambos se pode observar a paisagem mas as pessoas que vão ao Sítio de Vôo de ultraleves querem experimentar o vôo desportivo em ultraleve.

Coloque um helicóptero de um Táxi Aéreo numa rampa de vôo livre e ofereça para as pessoas que vão fazer um “vôo duplo” que desçam até o pouso no helicóptero e não na asa ou no parapente. Se o objetivo do vôo fosse apenas “apreciar a paisagem”, certamente desceriam de helicóptero mas quem vai a uma rampa de vôo livre quer experimentar o vôo desportivo em asa ou parapente.

Ofereça a alguém que foi atrás de um Aeroclube para voar planador, que o faça num avião de um Táxi Aéreo, ou que alguém troque o prazer de voar num balão por simplesmente “andar de avião” e apreciar a paisagem.

Aí está uma das diferenças, talvez a principal, entre um Vôo Panorâmico e um Vôo Desportivo.

O CBAer-Código Brasileiro de Aeronáutica diz que: em aeronaves experimentais é proibido o “transporte remunerado” de pessoas ou cargas. O DAC, baseado nesta Lei, proíbe o vôo panorâmico em ultraleves.

Transportar, segundo o “Aurélio”, significa “levar alguém ou alguma coisa de um lugar para outro”. No vôo realizado nos ultraleves, o local de decolagem e pouso é o mesmo. 

O vôo duplo em asa delta é praticado comercialmente no Brasil a mais de duas décadas. Mais recentemente os parapentes dividem o espaço aéreo em frente às rampas com as asas.

Em S. Conrado no Rio de Janeiro estes vôos já fazem parte dos “programas” oferecidos aos turistas que chegam à Cidade Maravilhosa e muitos “pacotes” incluindo estes vôos já são vendidos na Europa.

A ABVL já criou normas para “regulamentar” estes vôos, na busca da tão necessária SEGURANÇA DE VÔO e estas normas têm-se mostrado eficientes, dentro de sua abrangência.

Há anos venho tentando oficializar o mesmo tipo de vôo em ultraleves convencionais ou trikes mas o DAC não autoriza. Como conseqüência, os “vôos panorâmicos” em ultraleves são feitos na clandestinidade e, como tudo que é clandestino, feito sem os devidos cuidados e limites que, se praticados, assegurariam o desejado grau de SEGURANÇA DE VÔO.

Muitas vezes, na busca da “legalidade”, nem sempre bem fundamentada, os órgãos públicos esquecem-se da SEGURANÇA DE VÔO que deveria ser seu principal objetivo. 

A ABUL tem escritas “regras” estabelecendo os cuidados e limites para disciplinar estes vôos. Só falta o DAC deixar de tapar o Sol com a peneira e aceitar a realidade.

 

 

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