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Cronicas


O VÔO E A MULHER

O vôo tem muito a ver com o amor, com a mulher e até com o sexo.

"Esta mulher é um avião". Isto é dito pelos homens de um modo geral quando querem elogiar as belas formas de uma mulher. Que os pilotos usem esta analogia é compreensível, mas e os leigos??? O que sabem eles das qualidades dos aviões?? Mulher todos (ou quase) conhecem, mas os aviões, somente alguns.

"Este tráfego está uma zona". Dito quando as aeronaves entram no circuito de pouso desordenadamente.

As próprias autoridades aeronáuticas colaboram com esta afirmação designando procedimentos com palavras de dupla interpretação senão vejamos:

ZONA de tráfego de aeródromo para designar a área em volta de uma pista;

PENETRAÇÃO para designar um procedimento de descida por instrumento;

PERNA base e do vento para designar uma trajetória de vôo no circuito de tráfego.

O aerodesportista que não trata o seu equipamento com o carinho e o respeito que se deve a uma mulher não merece ser assim chamado. Comandos bruscos por vezes são necessários para corrigir algum desvio de rota mas mesmo nestes casos temos que manobrar dentro dos "limites operacionais" para não quebrar o "brinquedo" ou a relação. O meu amigo Sérgio (Purê) não "faz" um looping. Segundo o próprio, ele "dá" um looping, como quem "dá" uma.

Já que foi feita esta analogia mulher-avião, gostaria de saber como ela é vista pelo aerodesportista de cada modalidade. Sim, porque o aeromodeslista tem uma relação com o avião bem diferente daquela mantida pelo piloto. Fico imaginando se pilotar um aeromodelo não seria como fazer sexo com uma mulher sem contato carnal, amor à distância como vemos nos filmes de ficção, por telepatia.

Os pilotos de ultraleve me lembram muito aquele homem que não pôde casar com a mulher amada e, nas encruzilhadas da vida acabou reencontrando-a. É um amor que se manifesta como a violência da água rompendo uma barragem, é o amor reprimido na juventude, pelos pais ou até por questões financeiras e que desabrocha com uma intensidade assustadora. Alguns chegam a voar Ø8 (oito) vezes por dia no início, mas logo em seguida caem na real e dão uma, digo, fazem um ou dois vôos por semana.

E os balonistas?? É uma relação bem interessante. Deve ser algo parecido com fazer amor com uma mulher gorda e pesada. Não tem muita mobilidade e tudo acontece lentamente, sem permitir muitas evoluções. Por outro lado, há uma interação completa com a natureza, dificilmente se sabe onde e como vai terminar podendo durar muitas horas, só acabando quando faltar o "gás".

Saltar de pára-quedas é uma aventura apaixonante, tanto é que o paraquedismo é uma das modalidades com maior número de adeptos. Só que a relação do PQD com o avião é muito estranha. Neste caso, imagino o que diria o avião, se fosse um ser pensante: "Você me usou". O avião só tem valor enquanto pode levá-lo alto, e se der uma pane, é logo abandonado. Se não tiver avião serve o ultraleve ou até o balão. Não há a menor fidelidade. O negócio é "trepar" o mais alto possível para aumentar o tempo de prazer. E olhe que são insaciáveis. Por vezes o avião está no seu teto operacional e já está difícil de ser pilotado e eles querem trepar mais ainda. Agora, o momento de prazer é efêmero e arriscado, tal qual aquela "rapidinha" à la coelhinho, antes do marido chegar. Sim porque tem o risco de acabar em tragédia se o pára-quedas não abrir e falhar o reserva. Às vezes dá para fugir à tempo, saindo pela janela.

Os voadores do vôo livre me fazem lembrar dos "hippies" da década de 60, levando suas mochilas nas costas. Com pouco ou quase nada (se compararmos um avião à uma asa delta ou parapente) conseguem o máximo de prazer. Dos vôos que voei, o vôo livre foi o mais prazeiroso, talvez só comparável à acrobacia. Até a posição de vôo é sugestiva: voa-se deitado. Sugere aqueles encontros dos hippies onde faziam amor ao ar livre, em qualquer lugar.

O vôo à vela é, das modalidades aerodesportivas, uma das mais antigas no Brasil. Talvez não seja mais largamente difundido devido à sua total obrigatoriedade de ser praticado em equipe. O volovelista depende da ajuda de, pelo menos mais duas pessoas (rebocador e ponta de asa) para ter prazer. É bem certo que o seu prazer é dos maiores. Também!! Se não fosse??!! Depois de toda mão-de-obra que dá para "desligar" um planador numa térmica!! Quando o piloto não acha nada e vem para pouso, logo em seguida, a frustração é geral. Deve ser mais ou menos como a dos amigos que conseguem uma mulher para o "aleijadinho", levam-no até ela, ajudam nos preparativos e, na hora, ele falha.

A acrobacia é um caso à parte. Os manuais com o código Aresti são o próprio livro do Kama Sutra, ensinando como se executam todas as "manobras acrobáticas". Você por um acaso já tentou executar a posição "38" sem seguir o manual?? É a mesma coisa que tentar um "Hammerhead" sem ter aprendido. Normalmente acaba num parafuso.

Usar o pára-quedas de emergência (obrigatório no vôo acrobático) é uma questão de segurança. O mesmo que usar preservativo para praticar o sexo seguro.

Os aerodesportistas pagam para ter o prazer de voar. Como será que isto é visto pelos pilotos profissionais que recebem para fazer a mesma coisa?? Sabemos que algumas fazem por dinheiro mas sentem prazer, mas a maioria finge e o faz com tanta maestria que até convence.

Tem aqueles que pilotam suas grandes aeronaves durante a semana por dinheiro, é claro, e nos finais de semana vão ao clube sentir prazer. Lembra muito a "moça de programa" que nas folgas tem um "namorado".

 

 

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