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Cronicas


MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL

Pois é. Já fui responsável técnico da revista AVIAÇÃO DESPORTIVA à convite do Degenar, escrevia uma coluna para a saudosa AIRSPORT e agora o JUCA me convida para participar desta bela revista.

Aceitei de imediato. Algumas vezes encontrei pessoas que leram e gostaram dos textos que escrevi e descobri que tinha até alguns fãs que me “cobravam” uma “volta à ativa”. Como Saint Exupéry já escreveu no seu “Pequeno Príncipe”: você é responsável por quem você cativa. Por estes leitores eu me senti responsável.

O problema é que a FREQUÊNCIA LIVRE não é uma revista como as outras. Sua “linha editorial” é mais solta, quase “debochada”. Na primeira vista cheguei a discordar disto mas foi só até conhecer o Juca. Quantos o conheceram, imagino, sentiram como eu, esta vontade de colaborar, de ajudar a revista a manter o sucesso que já fez, a crescer e ser a “voz do piloto desportivo”. E eu sou um cara muito sério e por vezes “muito técnico”, como já me acusaram de ser. Será que vou destoar muito dos demais colaboradores? 

Agora estou eu com o “pincel na mão”, tendo que escolher um caminho a seguir, tendo que escolher um tema para escrever e que seja compatível com o nível e com o “espírito” da revista. 

Como opções imaginei: falar sobre a vida e experiências que tive como cadete e depois piloto de caça na Força Aérea; ou então dos acontecimentos dos quais participei durante minha passagem pela Divisão de Aerodesporto do DAC, período no qual também fui checador de B727 na Transbrasil, de tão saudosa memória. Outra opção seria discorrer sobre o aerodesporto e, talvez, sobre seus problemas e projeções para o futuro, um assunto que me empolga muito uma vez que a ele me dedico há muitos anos. Meus dois anos como “piloto de garimpo” em Itaituba no Pará, quando sai da FAB em 1988 e depois como “piloto de teste” de alguns aviões e ultraleves também foram férteis em experiências.

O Juca, consultado, não me ajudou em nada. Apenas disse: - escreve que eu publico.

Vocês podem sentir o meu “drama” e talvez me ajudar fazendo sugestões, já que sabem os assuntos sobre os quais tenho algum conhecimento e são possíveis de serem abordados. Imaginem se e qual deles poderá ser de interesse dos milhares de leitores da revista e nos escrevam. Talvez possamos fazer alguma coisa “interativa”. Só não vale pedir para cancelar a coluna pois aí eu perco meu emprego.

Já que ainda não tenho as sugestões, vou contar pra vocês uma historinha que aconteceu quando minha turma da FAB era cadete. Parece piada mas foi real.

Primeiro vôo de instrução, provavelmente a primeira experiência do cadete nesta área. Instrutor e aluno fazem a inspeção externa no avião, vestem o pára-quedas e ocupam seus postos no velho Foker-T-21. Feita a inspeção interna e o cheque antes da partida, o instrutor fala pro cadete: - Chame a bateria! Repete a ordem, face a cara de incredulidade do cadete: - Chame a bateria!

Ai o cadete que não sabia que, por motivo de economia, as partidas dos motores estavam sendo dadas com o auxílio da bateria externa, operada por um soldado que a trazia num carrinho quando algum piloto o chamava, viu o interruptor da bateria no painel, aproximou-se do mesmo e chamou, num susurro: - bateria! bateria! 

Já em Pirassununga, quando começamos a voar jato, na época o Cessna T-37, um bireator leve, o cadete foi para o avião antes do instrutor. Foi instruído a fazer a inspeção externa e ir se amarrando no assento pois o instrutor já chegaria.

Os aviões, todos iguais e colocados na linha de estacionamento com as asas muito próximas, só eram diferenciados pelo número na cauda.

O cadete começou a inspeção no avião dele, distraiu-se e, da ponta da asa dele, continuou a inspeção no avião do lado.

Finda a mesma, sentou-se na aeronave, colocou o capacete, amarrou-se e ficou esperando o instrutor que, por sua vez, estranhou a falta do cadete mas tomou seu lugar no cockpit. Ai ficaram os dois, um em cada avião, aguardando o outro.

Quando se tocaram riram muito, o cadete levou uma Ficha Deficiente e o vôo foi abortado.

 

 

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