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Cronicas


O LADO DE “LÁ” ESTÁ FICANDO MELHOR DO QUE O LADO DE “CÁ”

Outro dia comentava com um amigo sobre a “qualidade” das pessoas que estão nos “deixando” e chegamos à conclusão que os “bons” estão indo e os “mais ou menos” continuam por aqui. Até brinquei e disse que era este o motivo de eu tentar ( e conseguir, não sei) ser FDP.

A ABAAC, a ABRAEX, a ABUL, o aerodesporto, a aviação civil brasileira e, porque não dizer o Brasil, chora a perda de um de seus maiores entusiastas.

Como proprietário de um Stinson e defensor da história da nossa aviação, lutava pela preservação das aeronaves antigas, clássicas e históricas e foi fundador e primeiro presidente da ABAAC.

Como Engenheiro Aeronáutico, participou ativamente da ABRAEX, orientando e acompanhando a construção dos experimentais. A Marta e o Pedrinho devem a ele a os documentos de responsabilidade pela modificação que possibilitou o registro do showcat.

Como escritor, aliou seus conhecimentos de piloto aos de engenheiro aeronáutico e nos deu as melhores avaliações de aeronaves já publicadas nas nossas revistas especializadas. Colaborou com todas. O Laert Gouvêa, da saudosa SKYDIVE, lembrou da força que ele deu para a revista, não só com matérias gratuitas como com bons conselhos quanto ao conteúdo da mesma.

Como pessoa, acho que nunca encontrei alguém com humor tão agradável. Seu sorriso “amarelo” quando eu anunciava bem alto, quando o encontrava: -ai vem o “velhinho” mais simpático da aviação brasileira!!! Ficava sem graça pois de velho não tinha nada ( apesar de ser bem mais velho que eu).

Como pai de família também era o máximo. Não convivi com os seus mas o Laert os conhecia a todos e disto me falou. Eu conheço o KOI e sei da admiração que ele tinha pelo pai, seu maior ídolo e amigo. 

Fernando Machado de Almeida vai deixar uma das maiores lacunas no nosso meio aviatório. Quem detém os seus conhecimentos de engenharia e de aviação e é depositário do reconhecimento público da sua capacidade para avaliar uma aeronave? Quem poderá substituí-lo?

Os participantes do 3o ENU em Araxá puderam estar com ele e apreciar seus conhecimentos quando discorreu sobre “motores e combustíveis alternativos para a aviação desportiva”. Junto com Arthur Mourão, nos deu uma aula sobre a matéria.

Além de meu amigo, o Fernando prestigiou o evento como uma forma de apoiar o trabalho da ABUL. Saiu de lá feliz ao constatar o “espírito” dos ultralevistas.

Creio ter sido o último evento de aerodesporto do qual participou antes de fazer seu último vôo.

No dia 05/06/2003, decolou de Jundiaí no Europa PU-LAN e teve uma pane de motor. Ainda não existe um laudo exato mas suspeitamos ter sido um problema de alimentação pois isto já ocorrera em um vôo de teste. Na tentativa de pouso fora, bateu com a asa numa árvore. Na sua companhia estava o Fernando Landi, proprietário da aeronave que sobreviveu mas que está no hospital em estado grave.

O F.Almeida era o Engenheiro responsável pela construção e fez os vôos de ensaio da aeronave. Pelo que eu saiba só existia este exemplar montado pela Flyer e outro em Recife, montado pelo Adolfo Garrido (Pepe) no qual eu cheguei a fazer um vôo a uns anos atrás.

Ele estava engajado em algumas lutas em prol da simplificação das leis de forma a permitir que nossa aviação desportiva não pare de crescer. É nosso dever dar prosseguimento a estas lutas como uma homenagem ao nosso amigo e companheiro, e vamos continuar lutando.

Acabei de escutar o texto que o JUCA escreveu e me deu vontade de rasgar o meu. Não o fiz pois ele saiu do coração. Só disse pro JUCA: - gostaria de ter escrito o teu texto.

Um abraço Fernando. Do amigo e admirador

Gustavo Albrecht

 

 

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