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Cronicas


SEM TÍTULO

Outro dia a Valéria, esposa do Juca e nossa patroa, me cobrou a matéria da minha coluna e eu fiquei tentando recordar-me dos assuntos que já havia selecionado e que poderiam ter algum interesse para nossos leitores. Confesso que não tenho muita imaginação para “gerar” um assunto assim, de estalo. Lembrei então de uma conversa onde falávamos sobre animais na qual eu dissera da inveja que tinha dos urubus. Vá lá que seus hábitos alimentares não os coloquem no rol dos “gourmets” mais requintados mas, em compensação seu “way of life” é dos mais prazerosos. Quem já pôde apreciar o vôo dos urubus girando numa térmica ou brincando num “lift” saberá a que estou me referindo.

Me vem à lembrança as vezes em que, deitados na rampa de decolagem das asas lá em Sapiranga-RS, aguardávamos o vento amainar para que pudéssemos decolar e eles, os urubus, parecendo que para humilhar-nos, mostrando-nos quão pequenos éramos e quem realmente dominava a arte de voar, voavam sobre nós, os míseros terráqueos, exibindo as suas habilidades em enfrentar turbulência e vento forte e de rajadas usando todos os recursos aerodinâmicos que seus corpos dispõem, tais como : trabalhar individualmente as cinco penas das pontas de asa para evitar o estol, colocar o “trem de pouso” baixado para aumentar o arrasto, etc 

E o vôo da águia americana? É dos mais belos e majestosos que já vi. Os americanos do norte até a designaram seu símbolo nacional.

Mas o vôo com o qual mais me identifico é o da gaivota, talvez por influência do Fernão Capelo. Richard Bach conseguiu sintetizar naquele personagem o espírito rebelde que existe em cada aviador. O inconformismo com o “status quo” foi o aspecto marcante na “personalidade” daquela gaivota e este espírito reacionário que é a alavanca para as grandes conquistas, para as grandes mudanças que fizeram o mundo ter a cara que tem hoje me fascinam sobremaneira .

Para levar avante suas idéias e experiências, aquela jovem gaivota teve que desafiar o bando e bandos são quase sempre medíocres. Os que se escondem e vivem em bandos dificilmente criarão algo de novo, dificilmente criarão alguma coisa que mude o rumo da humanidade. E o pior é que, com este comportamento o bando, normalmente, execra qualquer dos seus que não siga as regras. 

Algumas vezes no bando existem outros inconformados e fazem dele um líder. Eventualmente estará sendo formado um novo grupo que já não será chamado de bando, mas de equipe, com objetivos mais altos e mais nobres.

O bando voava para poder alimentar-se, para sobreviver e Fernão o fazia pelo prazer do vôo, buscando o aperfeiçoamento, fazendo do vôo sua arte. Esta diferença de atitude diante do vôo é que separa os aviadores dos pilotos. 

Quando você admirar um piloto fazendo acrobacia, não o inveje. Aprenda a fazer o mesmo!

 

 

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