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Cronicas


O VÔO QUE NÃO FOI FEITO

Não, hoje eu não vou voar. Somente se o motivo for muito forte podemos nos permitir uma tal decisão, pois mesmo que passemos o resto de nossos dias voando, o vôo que não foi feito jamais poderá ser recuperado.

Da mesma forma, qualquer outro ato que deixarmos de praticar o poderá ser. Um dos segredos de bem viver é jamais termos de nos arrepender pelo que deixamos de fazer e procurar não fazer nada que nos possa trazer arrependimento.

Fazer um vôo sem aprender nada, sem procurar treinar e melhorar algum procedimento, também é perda de tempo. Talvez um dia aquele treinamento fizesse a diferença entre um pouso feliz e uma aeronave quebrada, numa emergência.

Quanta gente vemos por ai perdendo tempo com “fofocas”, até falando mal dos outros. Quem sabe se ao invés disto estivessem meditando e olhando “seus próprios rabos” não descobririam que pouco ou nada sabem, enquanto se julgam “grandes ases”?

Há um tempo para tudo. Aprender é uma das poucas coisas para a qual não existe um tempo específico. Sempre é hora de aprender, e quanto mais cedo, melhor.

Ao novato na aviação a palavra é: aprenda o máximo que puder, o mais rápido possível. A melhor e mais segura maneira de fazê-lo é observando e seguindo os exemplos dos aviadores mais experientes. Muito importante, porém, é escolher a quem se vai tomar por exemplo. Muitas horas de vôo acumuladas, por vezes somente mostram que o indivíduo tem sorte, não que é um piloto com doutrina e um bom exemplo a ser seguido.

Os erros dos outros e os acidentes devem sempre ser bem observados. O cúmulo da burrice é sofrer um acidente onde cometemos os mesmos erros que já causaram um acidente de nosso conhecimento. Por isto é importante analisar todos os acidentes que lhe cheguem aos ouvidos e ler os relatórios dos órgãos de Segurança de Vôo com suas análises.

Ocupar uma posição administrativa para poder fazer alguma coisa para melhorar a vida daqueles que dependem das suas decisões deveria ser o principal objetivo daqueles que buscam esses cargos pela eleição ou indicação. Ocupa-lo somente para satisfazer o ego, ou locupletar-se das benesses do cargo é bem pior do que deixar de voar, não aprender, fazer fofoca, etc. A omissão é, muitas vezes, pior do que a ação errada mas feita com boas intenções.

Porque as vezes somos colocados numa posição onde podemos ajudar aos semelhantes? Não é por acaso, eu posso assegurar. Deixar passar o tempo sem ir fundo na solução dos problemas ou na busca do aperfeiçoamento das regras, normas, leis, e tudo o que rege a vida em coletividade é perda de tempo, mau uso da oportunidade que lhe foi dada, e um dia “alguém” poderá cobrar-lhe. Somente os “Dez Mandamentos” têm a unanimidade universal. Outras leis podem e devem ser aperfeiçoadas. A premissa básica e que deve orientar qualquer norma ou regulamento, em aviação, é a Segurança de Vôo. A Lei deve assegurá-la ao grau máximo, sem contudo restringir a liberdade. Achar o ponto de equilíbrio deve ser o objetivo do legislador. Nesta hora a estatística é uma ótima ferramenta. 

A autoridade deve proteger a sociedade, assim a proteção à vida e bens de terceiros deve ser a outra premissa a guiar o legislador.

Que as nossas autoridades façam “todos os vôos” que puderem. Que não haja um “vôo” que fique por fazer. Nossa legislação deve estar atualizada com o resto do mundo, principalmente nesta era da “globalização”.

Plagiando o cantor Renato Russo: “É PRECISO VOAR COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÔ 

 

 

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