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Acidentes


POUSO SEM TREM SEAWIND PARATI

Como já contei noutro texto, o PT-ZSR era do Sérgio Bindel que infelizmente teve que vendê-lo pouco depois de eu terminar os testes e sua instrução. Ele nem chegou a levá-lo para Ubatuba-SP onde havia construído um hangar adaptado para receber seu novo brinquedo. Tinha até uma plataforma onde a cauda se encaixava para facilitar a manutenção no motor localizado no estabilizador vertical e de difícil acesso por baixo. 

Eu trouxe o avião para SBJR (Aeroporto de Jacarepaguá) pois prometi ao Bindel fazer os vôos de demonstração aos futuros clientes.

Coincidindo com um encontro de ex-Bqueanos da Turma 66 organizado pelo João Rodrigues lá em Ubatuba-SP, o Bindel me pediu para levar o SR até lá. Decolei com a Pati Lobo num sábado pela manhã depois de muito relutar devido à meteorologia que não estava muito propícia para o vôo VFR. Com as condições nos mínimos em SBJR decolamos sem saber como estava Ubatuba mas sabíamos que Angra e Paraty operavam VFR.

Passando a Ponta da Joatinga já na divisa com S. Paulo, o Bindel ligou no celular para informar que chegara a Ubatuba e o teto lá estava baixo. Informei que prosseguiria o vôo e, se não desse para pousar alternaria Paraty.

Chegando próximo a Ubatuba o teto foi baixando mas, voando um anfíbio sobre a água, não receei em voar baixo. 

Quando avistei a pista de SDUB eu voava a 300 pés. Entrei no tráfego e pousei sem problemas. O Bindel já me esperava na pista acompanhado do Jean Peter e da Renate, o casal que estava interessado no brinquedo.

Apresentações feitas, Jean Peter satisfeito com o aspecto da aeronave, Renate nem tanto, fui voar com o casal.

Pousamos após algumas manobras nas quais demonstrei as qualidades do Seawind e convenci o Jean Peter que, para o fim que ele destinaria a aeronave, era a máquina ideal.

A Pati, por sua vez, mostrou para a Renate que os detalhes de acabamento dos quais ela não gostara, eram fruto dos maus tratos aos quais ela estava sendo submetida naquela fase de testes e instrução. O casal estava convencido e comprou o ZSR. Combinamos que eu daria a instrução de adaptação para o Jean Peter lá em Paraty, tão logo ele revalidasse seu CHT-Certificado de habilitação Técnica de PP, o que faria no Aeroclube de S. Paulo. Ele estava parado a cerca de 20 anos e necessitava de um bom par de horas para relembrar as técnicas de vôo aprendidas no passado.

Dormimos em Ubatuba na festa do João que foi ótima. No dia seguinte o Bindel nos convidou à sua casa e lá conhecemos sua simpática esposa, sua casa e o ex-futuro hangar do ZSR.

A meteorologia deteriorou completamente e se tornou impossível qualquer tentativa de voar e acabei deixando o XSR em Ubatuba, voltando de carona no carro do Perréu, meu amigo da Turma 66.

Voltei a Ubatuba uma semana depois e trouxe o Seawind para o Rio para aguardar o apronto do Jean Peter que aconteceu no inicio do verão.

Fomos eu e Pati para Paraty preparados para passar alguns dias por lá, hospedados na bela casa do Jean que tem origem suíça e é casado com a Renate que é alemã.

E a coincidência: a casa deles em Paraty Mirim eu já conhecia. Fica em frente a Ilha da Cotia, no Saco de Mamanguá onde várias vezes joguei âncora com o Raoni para passar a noite. Ficava admirando a casa sem saber que um dia conheceria seus proprietários e me hospedaria nela. 

Todas as manhãs íamos no barco do Jean Peter para Paraty e fazíamos um ou dois vôos nos quais eu o ajudava a adaptar-se ao novo avião. Na volta para casa passávamos no Bar Paraty, bebíamos alguns copos de chopp para descontrair.

Não lembro bem quantos vôos fizemos mas o Jean Peter logo estava dominando a máquina. Só faltava acertar o toque na pista durante o pouso. Novamente a dificuldade era o alinhamento do eixo longitudinal do avião com a pista. 

Treinávamos isso quando, desatento durante o tráfego pois o Jean Peter já dominava a totalmente a operação, não percebi que ele não comandara o trem de pouso em baixo, e vi, pela terceira vez, o Seawind baixar mais do que deveria e pousar de barriga.

Como das outras vezes foi só conseguir ajuda para levantar a aeronave e comandar o trem em baixo. Estrago só o hidrovê que foi trocado por outro vindo da fábrica.

Mais uns dois vôos e o Jean Peter estava solo. Bastava agora voar bastante para ganhar experiência. Combinamos treinar na água no verão seguinte e assim o fizemos. 

Nessas alturas dos acontecimentos o Jean Peter tinha o PP em dia mas somente para aeronaves terrestres. Para operar na água teria que ser checado pela ANAC. Acontece que as nossas autoridades de aviação civil não checam em aeronaves experimentais.

Tivemos que ir a Manaus pois apenas lá havia checador de hidroaviões. Fui com ele porque minha habilitação estava vencendo e eu deveria ser rechecado.

Lá tivemos que pagar para voar o Lake, única aeronave disponível para alugarmos para o cheque de vôo que foi feito pelo paulo Brahma.

 

 

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