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Acidentes


UL ANDORINHA PERDE POTÊNCIA NO CEU. POUSO NO CAPIM

Uma das regras que sempre ensino ao falar em pouso de emergência sem motor, é planejar a aproximação para o “final’ do primeiro terço da pista. Se errar entrando curto ainda tem pista para pousar e, se errar entrando longo, poderá sair da pista no final mas aí já com velocidade menor que a de vôo.

Decolei do CEU com um Andorinha do Francisco Feital para um vôo de demonstração. O Chico fabricou estas aeronaves em S. Paulo, logo no início do movimento ultralevista na década de 80. Foi o primeiro UL com ailerons e comando de bequilha que se fabricou no Brasil e eu tentei ajuda-lo a implanta-lo para que tivéssemos mais opções de modelos no mercado.

Durante o vôo encontrei com o Sergio Pedra que voava um MX e entrei na sua ala. Acompanhei-o em várias manobras até que ele picou para uma passagem baixa na pista. O Andorinha era muito mais “liso” do que o MX e ganhava mais velocidade na descida e, para manter a posição na ala, tive que reduzir a manete quase que para marcha lenta.

Após a passagem, quando dei potência para subir, o motor Cuyuna a dois tempos engasgou e apagou. Eu estava em cima da lagoa e tentei fazer uma curva de cento e oitenta graus para voltar à pista mas não tive altura suficiente para completá-la.

O pouso seria no mato. Na finalzinha vi que havia uns vinte metros de área limpa mais a frente e que se chegasse lá não quebraria a máquina. Tentei “esticar o planeio” otimizando a velocidade mas não deu. Toquei uns dois metros antes da área limpa. Quando o trem principal tocou no mato, puxou o nariz violentamente para baixo e a bequilha enterrou na terra fazendo a aeronave ficar “espetada” na vertical. 

Na realidade entrei curto não por planejar mal a aproximação pois só vi a área limpa já na final mas as conseqüências foram as mesmas: uma aeronave pilonada. Um monumento à ignorância por ter acelerado o motor bruscamente após um período em marcha lenta o que, em motores dois tempos é sabido que pode apagá-lo.

 

 

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