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Acidentes


ULTRALEVE EM LIMEIRA-SP POUSO NUM LARANJAL

Os ultraleves estavam debutando no Brasil. A Microleve, ex- Ultraleve Comercio e Industria, trouxera os MX da EipperFormance, com motor Cuyunna, e depois estava fabricando as aeronaves lá em Pedra de Guaratiba. A Netuno trouxe um Condor com motor Kawazaky e logo iniciou sua fabricação lá na Ilha do Governador. O Feital começou, em seguida, a fabricação dos Swallow e o motor também era o Cuyunna. Na seqüência o Nelsinho da Flyer importou dez xxxxxx, e passou à fabricação de um modelo próprio. O Ozório fez o primeiro motor nacional, o ORC, copiado de um Cuyunna. O Fabio da Fibron fazia o Demoiselle lá em BH. O Kim Merthens construía as Mitchell Wing B10 com motor Zenoah lá em S. Paulo.

Tudo isto acontecia no inicio da década de 80. 

Os motores eram todos adaptados pois a “indústria” ultraleve ainda era incipiente e muito recente para se ter um motor “projetado” exclusivamente para atender ao mercado que nascia. O Cuyunna, originalmente empregado em “snow mobil”, dominava o mercado apesar da sua baixa confiabilidade. As panes de motor eram freqüentes e os pilotos “lidavam” bem com elas. Era normal decolarem 4 aeronaves de Guaratiba para um sobrevôo da Barra ou Recreio e voltar apenas uma ou até nenhuma. Cada clube tinha sua “carreta de resgate” pronta para resgatar os que pousavam fora. 

As conseqüências desses pousos em emergência eram mínimas. Um eixo torto, uma bequilha quebrada, era o máximo que acontecia quando o local de pouso não era adequado.

Estas emergências não assustavam e nem afastavam do vôo os novos pilotos desportivos que eram “recrutados” entre a nata dos empresários, executivos e profissionais liberais de cada comunidade e que sempre tiveram o “desejo de voar” latente e represado pela “burocracia” que envolvia a aviação até aquela época.

Na época eu era do DAC junto com o Rizental. Ele estava namorando a Lidinha, filha do Fúlvio e da Adelaide lá de Rio Claro. A Adelaide comprara dois Swallow e pegou a representação dos mesmos para S. Paulo. Além disso, estavam montando uma escola de ultraleves por lá. O Riza me convidou e fomos passar uma semana em Rio Claro para experimentar as máquinas, fazendo os primeiros vôos. 

Levamos muito tempo para “acertar” a carburação dos Cuyunnas pois ninguém conhecia os motores na época. Voamos um bocado na ala. Naquela época o Swallow era o primeiro ultraleve no qual se comandava as curvas com o uso dos ailerons. Nos dois outros modelos existentes as curvas eram feitas com o leme de direção que, no Netuno (condor) se comandava com os pedais mas nos MX esse comando era dado pelo manche. Lembro que, ao voar um MX eu tinha que me concentrar pois se decolasse só no “instinto”, acabava me dando mal. Imagine manter a reta comandando a direção no solo com o manche!!Os pedais comandavam os “spoilers” que ficavam sobre as asas e que, se comandados, destruíam a sustentação daquela parte da asa. Quando eu agia no reflexo e corrigia a reta com os pedais, realmente estava era“baixando” a asa do lado do pedal!!!

Lá de Rio Claro fui com o Fulvinho, irmão da Lídia, no Swallow até Limeira. Minha ex com meu filho foram de carro com a Adelaide. Fiz vários vôos durante o dia até que, no final da tarde resolvi voar com o Yuri que tinha uns 8 anos. 

Lembro que havia um laranjal já crescido logo após a cabeceira e que era sobrevoado após a decolagem. Numa das laterais da pista, pro lado da perna do vento da pista xx, também havia um laranjal em formação. Suas mudas não passavam de 50 cm.

Decolei com o Yuri e notei que estava faltando potência no Cuyunna. Logo depois ele firmou e subi em direção à cidade. Quando já vinha retornando o motor perdeu potência novamente. Aí botei a proa da pista e, quando estava próximo à perna do vento o motor calou. Estava a cerca de 100 metros da pista quando o motor parou de vez. Só alinhei com os sulcos da área plantada com mudas de laranjeiras e pousei. Zero estragos na máquina. Algumas mudas de laranjeiras machucadas mas muita mão de obra para levar o ultraleve de volta para a pista. Tivemos que suspendê-lo para passa-lo sobre a cerca. Essa foi minha primeira parada de motor.

 

 

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