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Acidentes


ASA NAS ÁRVORES EM SAPIRANGA

Voar lá no Sul dava um trabalho danado! A rampa de Sapiranga dista mais de 50 km de Canoas onde eu morava. A estrada de acesso à rampa não recebia manutenção adequada e, nas épocas de chuva ficava intransitável. Nossos carros não subiam o morro, somente os jipes com tração nas 4 rodas , marcha reduzida e, por vezes, com corrente nos pneus.

Algumas vezes eu deixava a asa no galpão do Mitchel, um alemão morador local que explorava o bar na área de pouso, e ia de moto levando apenas meu equipamento de vôo. Lá, eu “piruava” uma carona na subida até a rampa. Numa ocasião amarrei o equipamento de vôo no bagageiro da moto e parti rumo a Sapiranga, ansioso por um vôo de asa depois de passar uma semana voando de F5. Ao chegar lá constatei que meu equipamento havia caído da moto durante o percurso e fiquei inconformado por não poder voar. 

Consegui um cinto e um capacete emprestados e subi o morro. O vento não estava forte mas era suficiente para “segurar” no lift se a curva após a decolagem fosse feita imediatamente após tirar os pés da rampa. Várias asas já voavam na nossa cabeça e me apressei a montar a asa.

Quando fui vestir o cinto vi que ele era de um tipo bem diferente do que eu usava e senti que teria problemas para “capotar” sobre a barra e ficar deitado, a posição correta para o vôo. Mais uma vez confirmou-se minha previsão. Decolei e fiquei “pendurado” no cinto levando alguns segundos voando em linha reta até conseguir capotar, segundos estes que me afastaram da encosta e me tiraram da “zona de sustentação”. Quando consegui fazer a curva já estava voando abaixo do nível da rampa mas mesmo assim ainda fiz um bordo bem encostado nas árvores, tentando subir. Só consegui perder mais altura e resolvi abandonar a área da rampa e partir para o pouso antes que me complicasse mais. Fiz a curva e botei a área de pouso na proa.

Em Sapiranga existe um platô entre e rampa e a área de pouso e eu voava baixo sobre ele quando levei uma “pra baixo”, ou seja, entrei numa descendente que consumiu o resto de altura que eu tinha. Como já estava na borda do platô achei que daria para passar, talvez somente “triscando” um pequeno galho na grimpa da árvore.

Mais uma vez acertei. Trisquei o galho mas, diferentemente do que eu previra, a asa ao invés de continuar seu vôo em direção à área de pouso, mergulhou no mato, e eu junto, é lógico.

São alguns segundos que você nem percebe e lá estava eu dependurado no “hangloop” pelo cinto e com um galho de cerca de 15 cm de diâmetro atravessando o pano da asa a meio metro do meu peito.

Salvo por um triz de morrer espetado num galho de árvore, tratei de pedir ajuda para desmontar minha asa sobre a árvore e resgata-la para concertos pois desta vez ficou danificada.

 

 

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