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Acidentes


ASA DELTA EM S. VICENTE

Um dos prazeres do “voador” de asa ou parapente é voar em outros Sítios de Vôo e eu não era diferente dos demais.

Retornava para o Sul, de minhas férias cariocas, com a asa Cirrus 3 sobre o Opala e rebocando a carreta da Honda 400F que eu tinha naquele ano de 1978. Servia na Base Aérea de Canoas, voando F5 no 1/14 GAV de Caça.

São Vicente no litoral paulista, ali ao lado de Santos, possuía uma rampa natural que permitia um vôo rápido na encosta e sobre os prédios e um pouso na praia, à beira mar.

Seria o primeiro vôo após o acidente em S. Conrado, dois dias antes, onde “arborizei” ao tentar decolar com vento de cauda e, por isto, a “fissura” por um vôo era redobrada.

Cheguei a Santos de tarde e me hospedei no Cassino dos Oficiais da Base Aérea. No dia seguinte estava lá no morro conhecendo a rampa natural que os “locais” usavam para decolar. Não havia nenhum voador na rampa e eu deveria ter percebido que alguma coisa estava errada. A “secura” por um vôo, mesmo que “direto” para o pouso, somente para “marcar no caderno” mais uma decolagem em rampa diferente, me cegou e esqueci todos os conselhos dos meus instrutores e montei a asa.

Verifiquei que o vento vinha da direita, uns quarenta e cinco graus desalinhado com o eixo da decolagem, o que me obrigaria a correr “enviezado” com a rampa, na tentativa de tê-lo de frente com a asa.

Na véspera eu havia visitado a área de pouso para fazer o reconhecimento do local e “tracei” meu “plano de vôo”. Como a altura não era grande, se não soprasse um bom vento capaz de gerar um bom “lift” que é a corrente ascendente formada pelo vento ao incidir sobre a encosta, o vôo seria “direto” e eu passaria com pouca altura sobre os prédios, o que não é muito salutar devido à turbulência gerada por eles. Meu plano previa a passagem sobre umas casas, o que me manteria mais afastado dos obstáculos.

Mentalizei tudo isto antes da decolagem. Coloquei meu cinto, chequei a asa com dificuldade pois estava só na rampa, alinhei a asa com o vento e corri. 

Nunca havia decolado em condições semelhantes e fui pego de surpresa por uma situação previsível: uma rampa natural é muito larga e a ponta da asa acaba tocando no chão quando se corre em diagonal e foi isto que aconteceu na hora em que tirava os pés do chão.

O resultado foi uma curva involuntária à direita que me trouxe de volta ao morro. Por sorte não havia obstáculos e consegui pousar sem danos materiais nem pessoais, a não ser a “auto-estima” que já estava ficando abaixo do nível mínimo e compatível com um vice-campeão gaúcho de Vôo Livre.

Arrasado por mais este “vôo não feito”, consegui levar a asa para a rampa onde tentei explicar o inexplicável, desmontei o brinquedo e coloquei-o sobre o “rack” do velho Opala, de onde só saiu lá em Canoas para ser guardada na garagem de casa.

Naquela época não havia outras rampas de Santos-SP até Sapiranga-RS e, mesmo que houvesse, minha moral estava tão baixa que não sei se teria “peito” para tentar nova decolagem em Sítio de Vôo diferente.

 

 

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