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Acidentes


ESTOURO DOS PNEUS DO XAVANTE EM BRASILIA

Recém chegado de Fortaleza onde concluíra o Curso de Seleção de Piloto de Caça no 1o /4o GAV, me apresentei no 2o/1o GpAvCa na BASC-Base Aérea de Santa Cruz no Rio de Janeiro.

Em Fortaleza eu voara o Lokheed T-33, um jato inglês que veio para a FAB para substituir os Gloster Meteor F-8. Minha turma foi a última a fazer o curso de caça neste treinador que foi substituído pelo jato feito pela Embraer, o Xavante AT-26.

O Grupo de Caça já operava os AT-26 pois entregara seus T-33 para o 1o/14o GAV um ano antes.

Corria o ano de 1973 e nós, os recém chegados, após o “ground school” e o solo no Xavante, fazíamos nosso curso de “ala operacional”. Lembro de um vôo de “elemento”( dois aviões) no qual o Tacarijú, líder e instrutor, me fazia ver a “necessidade” de manter o “líder no horizonte” quando em curva por fora na formatura “ataque 2”. Eu tinha o mau hábito de “subir” na ala como em formatura básica e isto impedia que o líder revertesse a curva sem o risco de colisão com o ala. O “treinamento” consistia em , literalmente, jogar seu avião sobre o meu numa reversão radical. Eu que me virasse pra não deixar bater. O “macete” é deixar o líder no horizonte como se faz nas curvas em formatura escalonada.

Voávamos muito em esquadrilha( 4 aviões) ou em esquadrão ( duas a quatro esquadrilhas) pois os tenentes mais antigos estavam em treinamento para lideres de esquadrilha ou de esquadrão. 

Num destes vôos onde o Peixe Lima ou o Caju treinavam a liderança de esquadrão, estávamos sobre a Baia de Angra dos Reis, em cobrinha de esquadrilha em diamante ( as esquadrilhas em diamante , uma atrás da outra) e a manobra era um looping. O líder puxou pouco e passamos “mole” no topo. Ai a segunda esquadrilha não conseguiu manter a posição (por fora do raio de curva) e, no topo, passamos no remú da esquadrilha da frente. Foi um “espalhoff” pra ninguém botar defeito...Levamos uns dez minutos pra reunir todo mundo.

Os mais antigos já tinham a “manha” e os loopings saiam tranqüilos. O Ribeirinho que tinha sido da Fumaça e era o A3 (operações) do Grupo de Caça mas voava no segundão, nas sextas feiras fazia a “alegria” do esquadrão. Era um vôo de “vitrine” pois, feito sobre a pista, à vista de todo o esquadrão e pior, do “outro” esquadrão, o 1o/1o GpAvCa, ficava altamente sujeito à “crítica” do bandão. Lembro que num desses vôos, na saída do looping, passando a vertical e com a pista de Santa Cruz lá embaixo, ouvimos uma voz no rádio:- Não vai daaaaar! Deu. A recuperação terminou numa passagem baixa sobre a pista seguida de “peel off” e pouso.

Aí o Gabinete do Ministro mandou que fossemos à Brasília fazer a “firula” no hasteamento da Bandeira Nacional na Praça dos Três Poderes. Fomos com oito aviões. Eu era o #2 da segunda esquadrilha e decolamos para as passagens previstas. Levei de “saco” comigo o Ruy Dias, colega de turma que servia em Brasília. 

No pouso, “peel off” dos oito aviões e entramos na final. Não sei por qual motivo eu não me senti “confortável” para realizar o pouso, talvez por estar um pouco mais próximo do avião da frente do que estava acostumado, e arremeti pousando por último. Toquei com as rodas travadas. O Xavante parou em míseros 70 metros. Com os dois pneus estourados é claro. Na hora do toque ainda gritei pro Ruy Dias: -solta o freio!!! Pois achei que ele poderia ter colocado os pés no pedal. Ele jura que não o fez e eu acredito nele. A conclusão que chegamos é que, devido ao táxi para decolagem ter sido meio confuso devido ao tráfego de Brasília, os freios ficaram superaquecidos e, quando freei as rodas para recolher o trem após a decolagem, as pastilhas colaram.

O resultado foi a interdição da pista de Brasília por mais de duas horas pois o avião não se movia sobre suas rodas. O Esquadrão foi embora e eu fiquei aguardando o socorro que veio de tarde com o então Cel Menezes que comandava a BASC. Voltei para Santa Cruz no dia seguinte e, a tarde, fiz o vôo no qual me acidentei com o Xavante. Realmente eu não estava numa boa fase.

 

 

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