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APTIDÃO PSICOFÍSICA... COMO MANTÊ-LA

A pilotagem de aviões, diferente da maioria das atividades profissionais do ser humano, exige uma aptidão psicofísica para os seus praticantes. Os requisitos mínimos que desclassificam um candidato, são determinados pelas autoridades aeronáuticas de cada país mas há um consenso a respeito das exigências e a OACI-Organização de Aviação Civil Internacional dita esses parâmetros para os países signatários das Convenções Internacionais.

Os pilotos são submetidos à exames periódicos, as Inspeções de Saúde, com o objetivo de verificar se estão mantendo a respectiva aptidão psicofísica dentro dos padrões exigidos e, caso negativo, são afastados do vôo, temporária ou definitivamente.

Quando jovem, a inspeção de saúde é apenas um contratempo na vida do piloto pois o afasta do vôo por um dia, no mínimo, mas nada além disso. Ele vai para o exame sem a menor preocupação, já que tem uma saúde perfeita. É como avião novo: não costuma dar pane.

À medida que os anos passam, as conseqüências dos excessos praticados no passado, começam a manifestar-se no nosso corpo e, ou começamos a ter maiores cuidados com a saúde ou deixamos de fazer aquilo que mais gostamos: voar.

O que por alguns é considerado uma chateação por criar limites na sua alimentação e obrigá-lo a praticar exercícios físicos, para outros pode ser uma “guinada” na direção de uma vida mais saudável.

Nos últimos anos minha inspeção de saúde tem tido como resultado o CCF mas sempre acompanhado de uma cartinha alertando para o colesterol e triglicerídeos nos limites máximos da normalidade. Meu peso nos últimos 15 anos esteve sempre acima do normal e daquilo que eu desejava para mim mesmo. Eu vivia em constante briga com a balança e, perdendo sempre.

Aí, com o total apoio da minha namorada, iniciei uma reorientação alimentar que incluía dentre outras, reduzir drasticamente a bebida.

Em dois meses perdi sete quilos, meu colesterol baixou dos duzentos, a barriga que me incomodou por tanto tempo sumiu, e tudo, sem nenhum sacrifício de minha parte.

As comidas que todos sabemos serem maléficas para a saúde, como aquela picanha gorda do churrasco, não me apetecem mais e deram lugar a legumes, verduras e frutas. 

Não deixo de beber mas me limito aos dois, três primeiros copos, que são os mais gostosos...os demais trazem mais males do que prazer.

Vi o meu líder da Esquadrilha OI, o Carlos Edo, entrar num regime brabo e perder quatorze quilos em menos de um mês, baixando sua hiperglicemia tragicamente. Ele foi “forçado” ao regime para passar na Inspeção de Saúde que faz na AFA. Esse “incentivo” era o que lhe faltava para dar a “guinada” em direção à vida saudável. Me contou agora a pouco que, ao pegar o seu CCF, agradeceu ao médico, não por lhe ter dado o cartão mas por tê-lo reprovado um mês atrás. Estava em casa bebendo água mineral com limão e disse que vai continuar maneirando na comida e bebida no rumo de uma “qualidade de vida” daqui prá frente.

Meu filho, com apenas 34 anos, também teve um alerta vermelho com o colesterol acima do limite. Fez uma boa dieta e baixou o colesterol de 240 para 153. Agora já não lhe apetecem as comidas que antes eram seus “objetos de desejo”. Sorte dele que descobriu isso enquanto seu organismo ainda está em bom estado. 

A parcimônia à mesa ( comida e bebida) e o exercício físico desde cedo, nos permitem ter a expectativa de uma velhice saudável e, em conseqüência, um CCF e a possibilidade de continuar voando por muito tempo.

O MM ( Brig Magalhães Mota),voou até depois dos 80 anos e seu último avião foi um PITTS SPECIAL. Era meu ídolo e foi um exemplo no cuidado com a saúde. Um câncer o levou em menos de um ano mas convenhamos, voar acrobacia até os 80 é uma marca de respeito.

MENS SANA IN CORPORE SANO... pois a aptidão é PSICOfísica.Por aí não vou comentar pois acho que tem muito piloto que não passaria num teste psicológico mais rigoroso. Me reservo o direito de não nominar ninguém...

 

 

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