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Artigos Técnicos


CONTROLE DO TRÁFEGO AÉREO

Este é um assunto muito importante para nós que praticamos o aerodesporto e sobre o qual a maioria pouco ou nada conhece, motivo pelo qual achei interessante escrever algo a respeito.

O Brasil exerce o controle do Espaço Aéreo Brasileiro que é todo o espaço sobre nosso território e águas territoriais e neste espaço somente podem adentrar as aeronaves brasileiras e as estrangeiras para isto autorizadas.

Coube ao Comando da Aeronáutica ( antigo Ministério da Aeronáutica) este controle e para isto existe o DECEA-Departamento de Controle do Espaço Aéreo que o faz através do CINDACTA-Comando Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. Num país com poucos recursos, esta foi a maneira inteligente de garantir a vigilância necessária na área militar com o controle do tráfego necessário para a aviação civil, utilizando-se dos mesmos equipamentos. Noutros países a vigilância tem um sistema a parte com equipamentos caros em duplicidade.

O Brasil é membro da ICAO que é a Organização de Aviação Civil Internacional, responsável por coordenar as atividades da aviação civil e compatibilizar os padrões de forma a garantir a segurança do tráfego aéreo internacional e como tal deve cumprir as determinações das Convenções Internacionais, sob pena de ter como sanção a proibição de nossos aviões voarem para fora de nosso espaço aéreo ou então ter nosso próprio espaço classificado como “inseguro” o que levaria ao cancelamento dos vôos internacionais para o Brasil.

Estes padrões da ICAO vão desde os requisitos de homologação de aeronaves e da infraestrutura( aeroportos e auxílios à navegação), passando pela habilitação de pilotos e indo até o Controle do Tráfego Aéreo.

Temos no Brasil a mesma estrutura do espaço aéreo dos outros países e mantemos os mesmos padrões de controle, assim, nosso espaço é dividido em superior(acima de 24.500 pés) e inferior ( do solo até 24500 pés).

Acima de 14500 pés só é permitido o vôo por instrumentos , portanto proibido para nós aerodesportistas.

Do chão até esta altitude temos espaços aéreos controlados onde somente poderemos penetrar se devidamente autorizados pelo órgão de controle de tráfego aéreo responsável pelo mesmo e em comunicação rádio bilateral com o controlador, além de possuir um equipamento transponder a bordo. Para quem não conhece, transponder é um equipamento que identifica a aeronave que corresponde àquele alvo que aparece na tela e dá a altitude do mesmo, informação imprescindível para um eficiente controle de tráfego aéreo. Esta identificação é feita através de um código que é introduzido no equipamento de bordo pelo piloto de acordo com as instruções do controlador. 

Os espaços aéreos controlados são, resumidamente, os seguintes:

ATZ- é a Zona de Aeródromo, controlada por uma TWR (torre) e é criada para proteger o circuito de tráfego das aeronaves que operam em vôo visual. Normalmente tem 5 km de raio e vai do solo até 1500 pés acima do terreno;

CTR- é a área criada ao redor do aeródromo controlado que permite descidas por instrumentos e é controlada por um APP (Controle de aproximação) . Normalmente tem 12 NM de raio e vai do solo até 500 pés acima da altitude de início do procedimento de descida por instrumentos. 

TMA- é Área Terminal, também controlado por um APP ( Controle de Aproximação) que é criada ao redor dos aeródromos de maior movimento ou quando existem vários aeródromos na mesma área. Normalmente tem um raio de 40 NM e vai do topo da CTR até 15000 pés.

AWY- é a aerovia, controlada por um ACC( Centro de Controle) que existe balizando as rotas de maior movimento, normalmente ligando as TMA. Vão desde 3000 pés até o infinito e se dividem em aerovias de baixa (até 24500 pés) e de alta(de 24500 pés para cima). A mão e contra-mão nas AWY é feita com diferença de níveis de vôo, com separação de 500 pés entre si.

A missão do DECEA é árdua pois deve prover a segurança do Espaço Aéreo conforme as recomendações da OACI sem contudo “freiar” a aviação ou criar-lhe mais dificuldade além daquelas que já existem.

Recentemente tivemos ( ABVV e ABUL) uma reunião com o pessoal que trabalha nesta área no DECEA onde sugerimos várias medidas que, se adotadas, removeriam vários obstáculos que dificultam nossa aviação desportiva ou então melhorariam a segurança de vôo.

Nos prometeram reestudar as dimensões dos espaços aéreos controlados para permitir maior liberdade ao vôo VFR, principalmente para as aeronaves que não dispõe de sistema elétrico que permita a instalação de equipamento transponder. Neste sentido estão criando corredores visuais em várias TMA.

Será disponibilizada assinatura de publicações aeronáuticas que atendam ao vôo VFR. O ROTAER será dividido em regiões e muitas outras medidas que vêm em boa hora.

O Thomaz Milko da ABVV pode constatar o que eu já sabia: se levarmos nossas aspirações às pessoas certas, teremos cada vez menos motivos para “pichar” a autoridade aeronáutica nos papos de hangar. Eles são plenamente receptivos e querem nos ajudar a voar.

 

 

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