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Cronicas


VIAJANDO COM O VENTO

E lá estava eu chegando de mais uma viagem. Levou mais tempo do que o planejado. O vento não ajudou muito. A cada nova etapa ele cismava em me contrariar vindo na pior direção que podia.

As nuvens me deram uma boa cobertura durante todas as etapas. Perfeitas: nem chuva nem trovoada, apenas uma enorme “barraca” impedindo que o sol me castigasse ainda mais.

A visibilidade foi boa: acima de dez kilômetros na maior parte do tempo. Em alguns trechos cheguei a deixar de avistar a terra porém nada que chegasse a preocupar. Mantinha minha rota com as informações do GPS e “visualizava” minha posição no “moving map”. A VS, velocidade no solo, a que mais nos preocupa, pouco se alterava e isto era confortante. 

A temperatura variou um pouco em função da hora do dia porém não chegou a incomodar muito, exceção é lógico, na etapa em que naveguei com o vento de cauda. Eu não gosto do vento de cauda, principalmente quando a temperatura ambiente está elevada. O calor no cokpit fica infernal. Fico olhando a água do mar, convidativa, logo ali abaixo e me dá uma vontade enorme de mergulhar, só para refrescar. Quando trasladei alguns aviões pelo Caribe, o desejo de saltar de pára-quedas, só para experimentar aquela água azul translúcida que formava um tapete abaixo de mim , por vezes ficava tão intenso que era necessário muito auto-controle.

Interessante foi que na vez que acabei na água, com avião e tudo, a sensação não foi tão prazerosa quanto aquela que sempre imaginei. Acabei queimado pela reação da gasolina com a água salgada. Minha pele saia aos pedaços dois dias depois.

A pressão barométrica ao nível do mar em torno de 1020.0 HP garantia o bom tempo. Pressão alta é uma das características do tempo bom. Acompanhava as oscilações da pressão continuamente por ser ela um ótimo indicador das tendências das condições meteorológicas.

Nesta viagem, em raríssimas ocasiões tive o vento soprando no ângulo certo para a minha rota: de frente a 30 graus pela esquerda ou pela direita.

Mesmo o vento de través apareceu poucas vezes. Eu gosto muito do vento de través. Com ele a velocidade de cruzeiro fica boa, não tanto quanto com o vento de frente, mas bem melhor do que com o de cauda. O vento de través sempre é bem-vindo.

Como de costume, acompanho a navegação na carta. Saber a exata posição em que estamos é fundamental para chegarmos ao destino sãos e salvos. Estava vindo do Sul e a Ponta da Joatinga ( ali entre Ubatuba e a Ilha Grande, quase ao lado do Condomínio Laranjeiras) seria minha melhor referência. 

A visibilidade naquele trecho foi das piores, porém não deixava de avistar a linha da praia lá longe. Com aquele vento de cauda soprando sem muita convicção, minha VS não era lá grande coisa. Finalmente vislumbrei, lançando-se ao mar, a ponta de terra que tantas vezes já me guiara ao porto seguro e botei ela na proa.

Depois de uma eternidade, passei o través da Ponta da Joatinga e entrei na Baia de Angra dos Reis onde a visibilidade melhorou bastante.

Logo avistei a entrada da Marina Bracuhy onde o RAONI, meu veleiro, fica ancorado. Chegava ao fim de mais uma viagem. Um pouco diferente das tantas outras que fiz em aviões mas também cheia de emoções, estas tão necessárias para fazer nossa vida mais interessante. Velejar é a terceira coisa que mais gosto. Voar é a segunda.

 

 

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