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Traslados


CHRISTEN EAGLE DO PAES DE BARROS

Trinta de julho de 1997. Cheguei a Orlando para ir até o Encontro Anual da EAA. Fui de Transbrasil. Na volta traria o Christen Eagle que o Fernando Paes de barros havia adquirido em West Palm Beach na Flórida. 

Assisti a feira e viajei para pegar o avião que estava numa pista de um belo condomínio aeronáutico, o primeiro que conheci, de muitos.

As fotos do condomínio e da viagem perdi-as , com exceção de uma tirada no estacionamento do Aeroporto de Providenciales no Caribe.

O Eagle estava com o tanque de traslado instalado o que lhe dava uma autonomia de 03:30 h. Tinha também um GPS instalado, um Lowrance que eu nunca havia usado. Fiquei tranqüilo porque além do meu Garmin 95 eu tinha um Garmin 3 Pilot que havia sido lançado naquele ano em Oshkosh quando adquiri um.

Decolei de MYBS no dia 05 de agosto para voar apenas 15 minutos e pousar em KFXE-Fort Lauderdale onde compraria alguns equipamentos de sobrevivência que necessitaria para o traslado, metade sobre o mar e metade sobre a selva.

Decolei e , na primeira vez que usei o rádio VHF, o Lowrance foi pro saco. Estava ligado na mesma fonte do VHF e queimou. Fiquei reduzido ao Garmin 95 pois o 3 Pilot eu ainda não sabia usar.

Em Fort Lauderdale comprei colete salva vidas, aluguei um bote, comprei as cartas e demais publicações necessárias ao vôo e no dia sete cedinho comecei minha viagem para o Brasil.

Depois de 2:24 h pousava em Stella Maris- MYLS para abastecer e prosseguir para MBPV- Providenciales onde pousei após 01:43 h de vôo. 

No dia seguinte, voando para Punta Cana na República Dominicana para outro reabastecimento tive pane no Garmin 95 e fui obrigado a aprender a usar o 3 pilot na marra. 

Voava para St Martin e, depois de passar St Thomas, avistei nuvens carregadas no horizonte, bem na direção da rota que eu voava. Foi a primeira vez que enfrentei uma ITCZ-Zona de Convergência Intertropical que, para azar meu estava exatamente sobre St. Martin e se estendia para a direita, por onde eu deveria passar no dia seguinte, após pernoitar na ilha.

Quando chamei o APP Juliana dando minha posição, estava 15 minutos fora. Recebi a ordem de orbitar mantendo afastado 20 NM pois havia 4 ou 5 aviões orbitando na vertical de PJM, o VOR de St Martin. Minha navegação previa 2:30 h de vôo naquela etapa, o que me deixava com uma hora de combustível a partir do destino, e isso me dizia que eu tinha 1:15 h de combustível a partir daquele momento. 

Avisei ao APP que seguiria para a alternativa pois não tinha autonomia para esperar e fiz 90º à direita, colocando a proa da Ilha de Saba, minha alternativa.

Para minha decepção a nova rota ficava exatamente embaixo da ITCZ e me vi voando colado n’água pois o teto estava baixo. 

Voava preocupadíssimo com a autonomia pois tinha dúvidas se Saba estava aberto para pouso,vi, olhando para a esquerda, que estava claro para o lado de St Martin. Como eu não conhecia a Ilha de Saba mas conhecia muito bem St Martin e sua pista e resolvi seguir para lá, colado na água para não conflitar com os tráfegos que orbitavam na vertical.

Não falei com o Controle Juliana pois estava voando baixo e fora da sua área de jurisdição. Fui desviando da chuva forte seguindo a indicação do GPS que me apontava a pista de TNCM. Quando consegui ver a Ilha, estava do lado oposto à pista. Fui voando mantendo a costa à vista até que passei o través da baia de Philipsburg, quando chamei a TWR Juliana e dei minha posição explicando que minha autonomia era curta e que necessitava pousar antes das aeronaves que orbitavam na espera.

O controlador disse que a cabeceira 10 já estava livre, embora o restante da pista ainda estivesse sob forte chuva , e me autorizou a pousar assim que pudesse. Girei base pela direita e toquei na cabeceira entrando em seguida no aguaceiro. Livrei na última interseção à esquerda, a que dá diretamente no pátio da aviação geral. Voara 2:30 h na primeira perna e nessa foram 3:00 h.

Fui chamado ao Controle e tive que explicar porque não cumpri a determinação de orbitar a 20 NM. Ao verem no pátio a aeronave que eu voava me deixaram ir numa boa.

No dia nove de agosto decolei de St Martin para St Lúcia e pousei no TLPL, o aeroporto Internacional de lá mas não havia AVGAS e tive que ir para TLPC para abastecer. Dali fui para Granada-TGPY. 

No dia seguinte abasteci em TTPP-Trinidad Tobago e em SYCJ –Georgetown e fui pernoitar em SOCA-Cayena onde cheguei após voar 5:50h.

No dia onze fui para SBMQ-Macapá onde fiz a entrada que me tomou o dia inteiro me obrigando a um pernoite mesmo tendo voado apenas 2;30 h.

Dia doze fiz duas etapas: SBMA-Marabá e dormi em SBPN-Porto Nacional e cheguei ao Riono dia 13 após abastecer em SNUZ-Luziânia e SDCP-Carlos Prates.

 

 

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Pousado em Providenciales