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Traslados


SERTANEJO COM O JEAN BARBARÁ. IDA E VOLTA A MIAMI

Não foi bem um traslado...foi uma viagem de ida e volta.

Jean Barbará (João Lagoeiro Barbará) a quem eu conhecera tempos atrás e com quem havia voado até Curitiba para um Encontro das Velhas Águias, convidou-me para ir até Oshkosh-EUA para o Encontro Anual da EAA DE 1991. Iriam junto o Augusto Barroso da VECTOR ULTRALIGHTS e o Jardel, amigo deles lá do Iate Clube de Búzios.

Saímos do Rio com destino a Brasília. Sofri uma terrível dor de dentes quando atingimos o nível de cruzeiro pois estava com um dente em tratamento e a dilatação do ar preso dentro dele devido à diminuição da pressão atmosférica. Quando descemos melhorou mas, mesmo assim, telefonei ao dentista que me recomendou um analgésico e resolveu meu problema pelo resto da viagem.

Em Belém fizemos nossa saída e fomos dormir em Cayena na Guiana Francesa. Ficamos no Novo Hotel, mesmo endereço de pernoite das tripulações da Air France. Lá acabei encontrando com uma comissária da companhia francesa que eu conhecera no Rio de Janeiro, apresentada pelo Gerard Feldzer, meu amigo e Comandante da mesma, numa de suas passagens pela cidade.

Fomos para Granada onde chegamos cedo mas pernoitamos para poder conhecer a ilha. Dia seguinte fomos para St Martin onde dormimos duas noites para podermos passear um pouco e conhecer a ilha, metade francesa e metade holandesa.

O pouso foi no lado holandês e nos hospedamos no Maho Beach Hotel. No dia seguinte fomos passear e conhecer o lado Frances. Fomos pelo lado Oeste passando por St Petersburg, a Capital da Ilha Holandesa. Depois da cidade, avistamos uma praia e , ao chegarmos vimos que se tratava de uma praia de nudismo. 

Por ser uma praia não exclusiva onde você podia optar por tirar a roupa ou não, acabamos entrando para conhecer. É muito estranho ver as mulheres deitadas na areia, nuas, algumas com as pernas abertas, se expondo ao Sol para bronzear-se. 

A maioria das pessoas estava nua. Fomos alugar material para “snorkeling” e as moças estavam de “topless”, da mesma forma que as garçonetes do bar e outros funcionários do Hotel.

Depois de passearmos na praia, o Augusto e o Jardel ficaram mergulhando. Combinamos o encontro no bar para onde Jean e eu fomos beber uma cerveja.

Quando voltaram tivemos um choque: os dois vieram nus, com o calção na mão. Sentaram nos banquinhos do bar como se nada houvesse de estranho.

Dali continuamos o passeio e fomos jantar em Port Marigot, a Capital da Ilha francesa onde curtimos um bom restaurante.

Nossa parada seguinte foi em Grand Turk e depois Fort Lauderdale onde deixamos o Avião na oficina do Gilles para uma pintura geral.

Fomos todos para Oshkosh curtir a feira onde eu estivera pela primeira vez em 1982.

Na volta da feira fomos para a oficina pegar o avião e voltar para casa.

Qual não foi nossa surpresa ao ver o Sertanejo ostentando a mesma pintura de antes, apenas danificada por uma “raspada” que o pintor deu, antes de ir pescar nas Bahamas.

O Jardel e o Augusto voltaram direto para o Rio e eu fiquei com o Jean aguardando o término da pintura que tinha uma previsão de uma semana.

Ficamos fazendo turismo por lá, com vários passeios interessantes como Everglades, Parrot jungle, etc. O Jean alugou um barco para fazermos uma pescaria na qual enchemos um iglu dos grandes com BlueFish, pescados no currico.

Com o avião quase ficando pronto fomos brindados por um furacão chegando às Bahamas, nos impedindo de voltar pois estava na nossa rota.

Devido a compromissos de sua construtora no Rio o Jean tinha que voltar. Ia deixar o avião por lá e depois pagar um piloto para trazê-lo para o Rio. Diante disso, me propus a ficar lá aguardado o término do trabalho e voar com ele para cá.

Durou mais uma semana as minhas “férias” na Flórida, quando pude observar o comportamento dos habitantes dessas áreas de risco que corriam aos supermercados para comprar o “kit furacão” que já ficava embalado e pronto para ser levado para casa. Tão logo o Jean embarcou de volta, encontrei com o Cmte Stocco que estava lá fazendo o curso de DC-8 pela VASP, tinha terminado o teórico e aguardava o início do simulador. Ele mudou-se para o meu hotel e saíamos todas as noites para curtir as boites de Miami e Fort Lauderdale. Passávamos, na volta da noitada, pela Bahnians para checar a meteorologia e, constatando que o furacão continuava “estacionado” nas Bahamas, íamos dormir.

Assim foram algumas noites até que numa delas, ao checar a foto do satélite, vimos que o mau tempo se deslocava para o Norte e daria para eu passar, mesmo tendo que me “espremer” entre o furacão e o Espaço Aéreo de Cuba no qual não podia entrar. 

Na manhã seguinte ele me deixou no Aeroporto e eu iniciei minha volta.

Tive que fazer, como já previa, um grande desvio de rota para a direita para livrar as rebarbas do furacão mas nada que me impedisse de chegar a Providenciales e me hospedar no Turquoise Reef.

Dalí a St Martin com pernoite e, de lá, para Granada para abastecer e seguir para Trinidad e Tobago.

Lá, enquanto abastecia conversando com o funcionario da SHELL que lembrava da passagem dos F5 pela ilha muitos anos antes, fui procurado por um jovem que me perguntou para onde eu iria, ao decolar dali. Falei que estaria indo para Cayena e ele me pediu carona pois, como explicou, era aluno do curso de Piloto Privado em Trinidad & Tobago, estava sem dinheiro e queria voltar para casa. Disse-lhe que se voltasse a tempo (tinha que ir buscar a mala) eu o levaria. Não podia esperar porque, pelo horário já chegaria tarde em Cayena, queimando o Por do Sol.

Avião abastecido e burocracia resolvida, meu passageiro chegou e decolamos.

A rota direta entre Trinidad & Tobago e Cayena é pura água, muito afastada do Continente Sul americano, o que me fez dar um pé à direita para voar mais próximo à terra. Logo que coloquei a proa e coloquei SOCA no GPS vi que meu passageiro ficou inquieto e a remexer-se no assento. Ai ele olhou na minha prancheta de perna a rota que eu colocara no calunga e perguntou:-você está indo para onde? Quando lhe mostrei na carta a cidade de Cayena ele ficou branco (era meio mulato) e disse, com a voz estrangulada:- Eu moro em Guaiana (lê-se Gaiana) que é como chamam a antiga Guiana Inglesa. Tínhamos um senhor problema: se eu voltasse não chegaria mais a Cayena naquele dia; se o levasse para Cayena ele não teria como ir para casa e nem poderia entrar na Guiana Francesa sem visto. Enquanto resolvia o que fazer fui mantendo a proa. Constatei que a VS estava muito baixa e que chegaria ao destino cerca de 90 minutos após o Por do Sol. Aí chamei o Centro de Controle e pedi o METAR de SOCA. Estava aberto m,as com inúmeros CBs nas vizinhanças e a previsão era de chuva nas próximas horas. Mudei meu plano de vôo para Georgetown depois de ele me prometer conseguir que eu entrasse no país sem o visto consular.

Pousamos lá, ele realmente conseguiu que eu entrasse sem visto mas me lasquei todo para conseguir dormir: a cidade fica a 50 km do aeroporto. Pelo pouco que vi, Georgetown deve ter sido uma bela cidade na época que pertencia à Coroa Inglesa. Suas construções, na maioria em madeira, mostram ainda um belo estilo mas a conservação foi-se embora com os ingleses e a cidade hoje está caindo aos pedaços.

Dia seguinte voltei os 50 km até o aeroporto e retomei minha viagem decolando para Cayena onde reabasteci e prossegui até Belém, depois Porto Nacional, Brasília e Jacarepaguá.

 

 

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