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Artigos Técnicos


TRÊS COISAS QUE MAIS MATAM EM AVIAÇÃO

EU SOU O MAIOR

MAMÃE ESTÁ ME VENDO

EU TENHO QUE CHEGAR


Isto já matou muita gente e ainda vai matar outros, infelizmente.

Na aviação ultraleve a quase totalidade dos acidentes tem como principal fator contribuinte um destes três motivos.

A falta de auto crítica faz com que muitos pilotos se achem melhores do que são e excedam os seus limites ou os da aeronave que voam, colocando-se em situações irreversíveis.

Toda aeronave deve ser voada dentro do seu “envelope de vôo” pois cada uma tem suas limitações de peso, velocidades e esforços estruturais.

Tentar fazer acrobacias com aeronaves não apropriadas é um bom caminho para virar notícia de jornal

O exibicionismo está presente em vários acidentes e, por ter como ingrediente obrigatório um público (o exibicionista necessita dele), é muito traumatizante. 

O exibicionismo é mais perigoso quando associado à “falta de experiência”.

Fazer acrobacia aérea é divertido e melhora muito a técnica de pilotagem mas exige um treinamento adequado e conhecimentos teóricos que somente são adquiridos num curso de acrobacia.

Muitos pilotos de acrobacia(a maioria) são exibicionistas, só que eles possuem o tal “treinamento adequado”.

Mesmo entre os pilotos de acrobacia existe uma “graduação” baseada na experiência de cada um.

Somente a qualificação de “Piloto de Demonstração Aérea habilita um piloto a fazer este tipo de vôo para um público.

As demais categorias são para vôos de competição e, para cada uma existem limites diferentes de altura mínima.

Em show aéreo os limites de altura são estabelecidos para cada Piloto de demonstração. 

A presença de público é um “catalizador” de acidentes. 

Alguém já ouviu falar de algum acidente no qual um piloto morreu fazendo rasantes ou acrobacias mas do qual não houve testemunhas?

Eu tenho que chegar.

O piloto desportivo não deveria ter pressa de chegar, pois seu prazer está no “voar” e não no “ir” mas, infelizmente, ainda há os que se aventuram a prosseguir quando as condições não são favoráveis porque eles “têm que chegar”.O que leva um piloto a voar dentro de nuvens com uma aeronave que só está autorizada a voar VFR, ou seja, afastada 1000 pés verticalmente e 1500 m horizontalmente das nuvens?

Será a simples vontade de burlar a lei? O que leva um piloto sem qualquer treinamento em vôo IFR e a bordo de uma aeronave não equipada para tal a voar em nuvem ou no topo, sem chance de uma descida visual no destino ou na eventualidade de uma falha mecânica?

Será o simples desafio ao perigo?Não acredito. Ninguém seria inconseqüente a este extremo, principalmente conduzindo consigo outra pessoa a bordo, normalmente um familiar ou amigo (ninguém leva inimigos para passear). Só posso entender como “total falta de conhecimento” do que é o vôo em nuvem.Já ouvi as mais disparatadas opiniões:

“Se eu segurar firme e não mexer os comandos, eu passo a nuvem e mantenho a atitude.”Já me perguntaram:

“E se eu soltar os comandos? Meu avião está bem trimado. Ele não manterá o vôo reto e nivelado saindo do outro lado?”NÃO!!!!!!

E se a aeronave mudar de atitude? Com qual referência vai-se restabelecer um vôo reto e nivelado?

Voar com visibilidade restrita e teto baixo, além de proibido é perigoso. Decolar nestas condições é desafiar a sorte. Se as más condições forem encontradas em vôo, nunca se deixe ficar sem opção de voltar. Esteja sempre apoiado em uma pista. Pouse na pista mais próxima. Lembre-se que sua família preferirá que você durma pelo caminho e chegue no dia seguinte. Você ainda tem a opção de ir para casa num confortável ônibus do Expresso Brasileiro e, quando as condições meteorológicas melhorarem, voltar para buscar a aeronave. 

Vi isto ser praticado pelo Nallin e o Rosendo quando estávamos no Hotel Porto Bello em Mangaratiba, no encontro Terra, Mar e Ar promovido pela Freqüência Livre. O tempo virou no sábado e no domingo permaneceu ruim. Eles deixaram os ultraleves lá e, apesar da gozação do Ceotto, voltaram pra casa de carona com amigos que foram de carro. Deram um belo exemplo de doutrina e bom senso.

 

 

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