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Artigos Técnicos


A COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE OU...A FALTA DE....

Todos sabemos que a legislação nos obriga a comunicar, às Autoridades de Aviação Civil, qualquer incidente ou acidente ocorrido com nossa aeronave.

Com a desculpa de que... “acidentes com experimentais não são investigados”..., ninguém mais comunica ao GER da sua região quando sua aeronave apresenta algum problema e, em consequência, sofre um acidente.

Essa comunicação, pelo RBHA 103, deveria ser feita ao GER e à ABUL e o intuito é unicamente a PREVENÇÃO DE ACIDENTES. 

Acabamos tomando conhecimento apenas dos acidentes fatais, e assim mesmo por intermédio da imprensa. Nesses acidentes por vezes conseguimos extrair ensinamentos que podem se transformar em alertas para a comunidade ultralevista e permitir alguma ação de PREVENÇÃO mas uma investigação técnica, nos moldes da realizada pelo CENIPA no caso das aeronaves homologadas, aumentaria em muito a eficácia das “recomendações” que seriam divulgadas.

Nos acidentes nos quais o piloto e/ou acompanhante sobrevivem, as chances de haver uma “conclusão” quanto aos fatores que contribuíram para o acidente são bem maiores e a investigação muito mais simples de ser realizada. Na maioria das vezes o simples relato do piloto aponta para os fatores que contribuíram e se pode chegar a uma conclusão.

Tivemos recentemente um exemplo disso: um RV9 novo foi entregue pelo montador ao seu novo proprietário que, ainda não adaptado, recebeu-o na companhia de seu instrutor em SBJR. Decolaram dali para o Clube CEU e lá, na primeira decolagem com o instrutor dando a adaptação ao proprietário, pilonaram a aeronave.

Os dois saíram inteiros mas a aeronave sofreu sérias avarias. Pelas testemunhas, relato dos pilotos e demais evidências, constatou-se que o garfo da bequilha tocou na grama da pista travando-a o que originou a pilonagem e toque da hélice na grama com parada brusca do motor. A aeronave ficou no dorso e seus ocupantes presos na mesma. As pessoas que acorreram ao local levantaram a aeronave e retiraram os dois ocupantes. Imagino quais poderiam ter sido as conseqüências se esse acidente tivesse acontecido num lugar ermo...

A primeira “versão” do acidente, divulgada na internet, apresentava a “falha estrutural da bequilha” como “causa” do acidente. Chegaram a questionar as qualidades técnicas do montador da aeronave... e por aí a fora.

O fabricante do KIT, Vans Aircraft, consultada sobre a “fragilidade” da bequilha, informou apenas que ...“não recomenda a operação em pistas de grama”...e atribuía o acidente à imperícia do piloto e ponto final.

Com a discussão do assunto, ficamos sabendo que esse não era o primeiro caso de pilonagem de RV9 devido a problemas na bequilha, pelo contrário, no mundo inteiro passavam de vinte. 

Aí começamos a ter notícias de acidentes no Brasil....soubemos de mais de seis... e nenhum relatado. Pior ainda, foram “escondidos”, mostrando a TOTAL falta de DOUTRINA DE SEGURANÇA DE VÔO e o mais triste... TOTAL falta de companheirismo e espírito de colaboração por parte dos montadores e dos próprios pilotos.

Diante disso o Mário Catharino da Eagles Hot Machine, juntamente com o Chiquinho da Alto Alumínio e o Eng Cezar Optebecq fizeram um belo trabalho e fabricaram uma nova bequilha que, basicamente aumentou a altura da parte da bequilha que toca o solo quando o piloto não alivia o peso do nariz colocando o manche todo atrás, tanto no pouso quanto na decolagem.

Já foram fabricadas pela Alto Alumínio e instaladas pela Eagles Hot Machine mais de vinte e duas bequilhas que, de acordo com o JC lá de Aracajú, funcionam perfeitamente. Ele e o Nallin já instalaram nos RV9 deles.

Relato isso para incentivar os pilotos a relatarem seus acidentes. Com isso, estarão ajudando seus companheiros de vôo a evitar acidentes, ter prejuízo ou penalizar a apólice de seguros de casco que a MAPFRE mantém com a ABUL.

Já temos a promessa do Polízio, Diretor da MAPFRE, de que, no dia que diminuirmos o número de “sinistros”, que é como as seguradoras chamam nossos acidentes, reduzirão o valor do prêmio que pagamos anualmente e que é um dos mais caros do mundo.

 

 

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