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VÔO A VELA-A HISTÓRIA E EVOLUÇÃO

O sonho do homem em imitar os pássaros remonta ao ano 300A.C. quando o filósofo Architas, de Taranto, fez uma tentativa de voar com seu “pombo mecânico” que utilizava a força muscular do homem para movimentar asas rudimentares e batê-las como o fazem os pássaros.

Passando pelo escritor Ovídio, pelo Monge Beneditino Oliver no século XI, Giovanni Baptista Dante que voou sobre o lago Trasímero em 1420 e parou suas experiências após um acidente, foi Leonardo da Vince que em 1506 apresentou uma abordagem deste ramo da aeronáutica no seu tratado-”O vôo sem bater asas e com o auxilio do vento”. Este manuscrito é acompanhado de croquis que esclarece perfeitamente os conceitos do autor sobre a utilização das correntes ascendentes para possibilitar o vôo do homem. 

Somente em 1856 o francês Jean-Marie Le Bris, com um planador de sua própria concepção tornou-se incontestavelmente o primeiro aviador ao realizar o primeiro vôo que se tem notícia.

Em 1884, nas colinas ao sul de San Diego na Califórnia, John J. Montgomery voou 200 metros totais, sendo que a metade sem perda de altura, sendo considerado este o primeiro vôo a vela puro realizado por um homem pilotando um planador.

O mais famoso de todos os “volovelistas”, no entanto, foi Otto Lilienthal que a partir de 1891 realizou mais de 7000 vôos num aparelho com o qual lançava-se dos morros à margem da estrada de Magdeburgo, perto de Drewitz, na Alemanha.

Em 1905, um aluno de Montgomery fez o primeiro vôo de planador lançado por um balão a ar quente, a partir de uma altura de 260 metros, e no mesmo ano, após desligar do balão a 1200 metros de altura, voou 17 minutos tendo conseguido manter a altura por vários minutos e até ganhar altura em alguns momentos.

Em 1905 Montgomery construiu seis planadores que eram lançados por cinco balões a ar quente e por um balão a gaz, com os quais ele ensinava a voar chegando a ter 16 alunos inscritos no seu curso. Estes pilotos, rivalizando em audácia, foram os primeiros pilotos a dar verdadeiros shows de acrobacia aérea, encantando centenas de milhares de espectadores.

O primeiro lançamento por “sandow” ( elástico) foi realizado, também na Califórnia, em 1911, graças a mais um invento de Montgomery..

Em 1906 teve início a prática organizada do aerodesporto com a fundação do Clube Aeronáutico da França, por Sauniere, que também organizou a Escola de Planadores de Palaiseau, a criação da Associação Aeronáutica de Amberley na Grã Bretanha e a Associação Aeronáutica de Darmstadt, na Alemanha.

Os primeiros planadores eram estruturas leves de madeira, tela e cabos que sustentavam o piloto por algumas centenas de metros após uma corrida, com os pés, numa colina e o controle era “pendular”, ou seja, por mudança do CG- Centro de Gravidade.

A descoberta de materiais leves e resistentes e novas fontes de energia na natureza, permitiram a mudança nos desenhos dos planadores e vôos mais longos e duradouros. As primeiras competições premiavam os pilotos que voavam mais longe, mais alto e por mais tempo. Nas décadas recentes a velocidade tornou-se a principal medida de performance. 

A evolução dos planadores, desde o voado por Otto Lilienthal em 1891, cuja velocidade máxima era de 35 km/h, fez dele uma das máquinas aéreas mais eficientes da atualidade pois voa desde a velocidade mínima de 60 km/h até a máxima de 250 km/h. Planadores de competição agregam as mais modernas técnicas construtivas e os mais avançados materiais da indústria aeronáutica. Dispositivos como o lastro d’água, “speed-brakes” e flapes lhe permitem altas performances.

Da antiga madeira e tela para o moderno “composite”, os planadores passaram por mudanças radicais nos conceitos e desenhos. 


A DINÂMICA DO VÔO A VELA

O planador necessita de uma altura inicial para conseguir aproveitar-se das correntes de ar ascendentes e manter-se em vôo. Esta altura inicial pode ser obtida por várias maneiras, sendo a mais comum através do reboque por avião com as vantagens de poder lançar mais alto e já dentro de uma térmica ou do “lift” da colina. Um método antigo era o lançamento de uma rampa já no alto da colina com o trabalho extra de levar o planador até lá. Muito difundido na Europa é o lançamento por guincho por ser mais barato.

As correntes ascendentes de ar são geradas, mais comumente, pelas correntes térmicas (advecção) e pelo vento de encosta (orográfica) e menos freqüente, pelas ondas.


CORRENTES TÉRMICAS

O sol aquece a terra e esta aquece o ar que a envolve. Devido à heterogeneidade da superfície terrestre, o ar é aquecido desigualmente, criando-se a diferença de temperatura entre as massas de ar.

O ar mais quente sobe criando uma coluna de ar ascendente cuja velocidade será tão maior quanto maior for a diferença da temperatura entre as massas de ar. Esta coluna de ar é chamada de “térmica” e nela o piloto comanda o planador num vôo circular, tentando ficar o mais próximo possível do centro da corrente, onde ela é mais intensa. Quanto mais leve, mais rápido subirá. O planador é capaz de subir até o topo da nuvem que geralmente se forma acima da térmica( nuvem cumulus) devido ao à condensação da umidade contida no ar quente e que se resfria à medida que sobe. Como não é aconselhável o vôo dentro da nuvem nessas aeronaves, o piloto, ao atingir a sua base prossegue seu vôo em busca de outra térmica, ao longo de sua rota. É o vôo utilizado nas competições para cobrir grandes distâncias. Entre uma térmica e outra o vôo é descendente pois o piloto troca energia potencial (altura) por energia cinética ( velocidade). 


VÔO DE ENCOSTA

O ar deslocando-se horizontalmente na superfície da terra ( vento) ao encontrar um obstáculo tende a contorná-lo. Se este obstáculo for uma colina ou montanha de bom comprimento colocada perpendicularmente à sua direção de deslocamento, a massa de ar será desviada para cima criando uma corrente ascendente naquele lado da montanha e que, dependendo da intensidade do vento, se estenderá bem acima do topo da montanha ( normalmente 1/3 da sua altura). A técnica do vôo em encosta consiste em acompanhar o relevo do terreno, indo e voltando, procurando manter-se dentro da porção de ar que sobe. É muito bom para vôos de permanência onde o objetivo é permanecer em vôo o maior tempo possível, o que é conseguido enquanto houver vento. 


A COMPETIÇÃO

Cerca de cem pilotos competem a cada dois anos nos WGC-World Gliding Championships. Estes pilotos voam cerca de 500 km em quatro horas. O objetivo é voar o circuito no menor tempo possível. Muito diferente das primeiras provas onde o objetivo era permanecer o máximo de tempo no ar.

Instrumentos cada dia mais sofisticados ajudam o piloto a perceber qualquer movimento vertical da massa de ar. Instrumentos giroscópicos já permitem o vôo dentro de nuvem, o uso de suprimento de oxigênio para o vôo mais alto já é comum e a comunicação em VHF é obrigatória.

Numa competição os planadores são lançados, normalmente pelo reboque de um avião, e os pilotos escolherão a melhor hora para iniciar a prova, o que acontece quando o planador passa pelo “portão”, e inicia-se a contagem de tempo.

O circuito, que é igual para todos os competidores e pré-determinado pelo Diretor de Provas, tem seu tamanho e direção estabelecidos em função das condições meteorológicas reinantes no dia. É composto de vários pontos de controle que deverão ser sobrevoados e fotografados, pode ser triangular ou então uma ida e volta simples.

O planador desloca-se trocando altura por velocidade, entre uma térmica e outra. Neste deslocamento o peso é importante para que se consiga uma boa velocidade e o percurso seja voado no menor tempo. O dilema é: mais pesado voa mais rápido mas sobe menos quando em condições de térmicas fracas. Leve sobe bem com qualquer térmica mas não tem velocidade.

A solução foi colocar um lastro d’água que pode ser alijado ao comando do piloto. Se as térmicas estiverem fortes o lastro é mantido mas se enfraquecerem, a água é jogada fora.

O vôo a vela é essencialmente um esporte por equipe, pelo menos no “pré”e “pós” vôo. Normalmente os pilotos voam dentro do “cone de segurança” de uma pista mas durante uma competição estes princípios de segurança são relegados a um segundo plano e os “pousos fora” acontecem. Nesta hora a equipe de resgate entra em ação, plotando no mapa o local de pouso do competidor, descobrindo qual o melhor caminho para chegar lá por terra, e indo até lá com a carreta do planador que será desmontado e transportado de volta para o aeródromo de decolagem. Não raro este trabalho leva uma noite e equipe e piloto chegam de volta ao amanhecer.


O VÔO A VELA NO BRASIL

História do Vôo a Vela no Brasil, pioneiros, tipos de planadores, etc


RECORDES

Existe o “Clube do 1000” que reúne os pilotos que já voaram distâncias maiores que 1000 km num planador e a cada dia o nº de seus integrantes aumenta pois a performance destas máquinas já lhes permite voar mais de 40 metros de distância para cada metro descendo.


 

 

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