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PARAQUEDAS BALÍSTICO

O Eugênio me pediu para dar minha opinião sobre o uso de pára-quedas balístico na aviação leve. Resolvi apresentar alguns fatos pois creio que serão mais convincentes do que qualquer palavra de minha parte.

Nossa mentalidade joga um pouco contra a Segurança de Vôo, senão vejamos:

- somente nos últimos anos os brasileiros têm feito seguro total para seus veículos terrestres e, na aviação desportiva, somente cerca de 10% da frota é segurada;

- temos até um ditado que diz: colocou a tranca na porta depois do arrombamento;

- sempre pensamos que os acidentes só acontecem com os outros.

Nos anos 80, quando os ultraleves chegaram ao Brasil, muitos deles eram equipados com pára-quedas mas, à medida que venciam suas cargas explosivas, foram sendo abandonados pela dificuldade em importar tais cargas para substituição.

Desde lá, embora na época nenhum deles tenha sido acionado, muitos pilotos e acompanhantes perderam suas vidas em acidentes nos quais esse equipamento poderia tê-las salvo.

Eu estou voando um RV6 e faço acrobacias a uma altura na qual um pára-quedas pessoal não tem utilidade. Já falei com o Eugênio para instalar um balístico nele e estamos estudando a melhor forma de instalação para não afetar muito o CG pois num acrobático o CG traseiro é perigoso.

Quando minha namorada comprou o RV6 fomos buscá-lo em Campinas. Decolamos de lá para o Rio de Janeiro e, no cruzamento da Serra do Mar, entre Parati e Angra dos Reis, o motor deu uma rateada feia. O coração veio na boca mas, trabalhando na mistura, consegui mantê-lo funcionando. Descobri que os bicos injetores do Lycoming haviam recebido apenas um aperto manual, além de estar com velas inadequadas. Lembro que na hora olhando para baixo e só vendo montanha e árvores, com minha namorada a bordo, teria dado tudo que tenho( não é muito mas é TUDO) para ter um pára-quedas instalado.

Meu filho acabou de comprar, em sociedade com seu patrão, um Legend ( turbo hélice acrobático) e sua primeira pergunta ao construtor americano foi: -dá para colocar um pára-quedas balístico nele? 

Na Alemanha TODAS as aeronaves experimentais somente são autorizadas a voar se equipadas com um pára-quedas. 

As aeronaves CIRRUS ( aviões homologados) saem de fábrica com o pára-quedas, não sendo item opcional.

Já conversei com o Polizio da MAPFRE propondo que estude um desconto nos seguros de casco das aeronaves equipadas com um balístico pois esses dificilmente terão grandes danos, no caso de um acidente.

Quando o Eugênio pediu o registro (ou transferência, não lembro) da aeronave que seria usada nos ensaios, consegui que o Gonçalves fizesse o trabalho gratuitamente como forma de colaborar com o projeto. 

Creio que são argumentos suficientes para mostrar o que penso a respeito desses equipamentos de segurança.

 

 

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