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1º / 14º GAVca- O ESQUADRÃO PAMPA

Avião de caça. Todo mundo identifica-o à primeira vista. É bem diferente das demais aeronaves. Mesmo entre as militares é inconfundível.

Forma aerodinâmica esguia própria das aeronaves velozes.

Um lugar apenas pois o homem que o comanda é auto-suficiente. É ao mesmo tempo o piloto, o navegador e aquele que aperta o gatilho e lança a bomba, o foguete ou o míssil.

Avião de caça normalmente não anda só. São, no mínimo, duas aeronaves, um elemento, tecnicamente falando.. O piloto de caça é um solitário, mas gosta de ter seus semelhantes por perto.

No território inimigo um cuida da retaguarda do outro, embora já existam sistemas de vigilância para alertar o piloto dos perigos à retaguarda.

Num combate aéreo o ala protege a cauda do líder e vice-versa.

Espartano no seu interior, o avião de caça chega a ser desconfortável. A cadeira é ejetável, assim, para proteger a integridade da coluna vertebral do piloto numa ejeção, o assento é duro.

O espaço disponível para o piloto é o menor possível ( acho até que os projetistas não gostam dos pilotos de caça). Não dá nem para abrir uma carta de navegação. Antigamente ( na época da fartura) traçava-se a rota e cortava-se a carta de forma a ter somente uma tira com a rota e que, dobrada tipo sanfona, facilitava a consulta.

Diferentemente dos outros aviões, onde basta soltar o cinto de segurança e se está livre para mudar de posição e evitar uma câimbra, o avião de caça não dá a mínima chance ao piloto. Antes da decolagem deve colocar o pára-quedas, amarrar o cinto, conectar a traquéia da máscara ao sistema de oxigênio do avião, conectar a mangueira da roupa anti-G ao sistema pneumático, conectar os fios do fone e microfone, conectar o gancho do automático do pára-quedas que será desconectado ao cruzar 15000 pés. O piloto “veste” o avião, formando com ele um corpo só.

Se o vôo for muito longo ( o avião de caça pode realizá-lo com o reabastecimento em vôo) e o “traseiro”começar a doer, a solução é fazer um ½ tunô e voar alguns segundos em vôo invertido para aliviar a pressão.

Todos os jatos têm piloto automático, menos os de caça, embora sejam os mais instáveis. O simples ato de apanhar um objeto no chão, se não for feito com atenção ( as vezes nem dá) pode resultar numa atitude anormal.

Em compensação, os comandos essenciais para um vôo operacional, onde será empregado o armamento, e os comandos de vôo, estão bem à mão.

No F-5, por exemplo, na manete comandada pela mão esquerda, com o polegar são comandados os flapes( de mergulho e de pouso), com o indicador comanda-se o radar, etc.

Na manche, comandado pela mão direita( a única que sobrou), o polegar comanda o compensador ou o lançador de bombas, o indicador, o canhão ou o foguete.... ( só falta ao piloto pedir uma vassoura para... ) 

E porque será que o sonho dos pilotos militares é ser “piloto de caça”?? Talvez porque “FIGHTER PILOT DO IT BETTER” Este é o lema da aviação de caça, embora as más línguas digam que:


-PILOTOS INSTRUTORES fazem todos os dias...

PILOTOS DE LINHA AÉREA fazem de olhos fechados....

PILOTOS DA COMERCIAL falam a respeito disto......

PILOTOS DA RESERVA já fizeram muito......

PILOTO AUTOMÁTICO faz por nós.

PILOTOS DE PROVA fazem assobiando.

PILOTOS DE SIMULADOR, fazem?

PILOTOS DA FUMAÇA fazem de traz prá frente.........

PILOTOS KAMIKAZES fazem uma vez só......

PILOTOS DE HELICÓPTERO fazem parado....

PILOTOS DE “PAULISTINHA” pensam que fazem.

PILOTOS DE ALOJAMENTO dizem que já fizeram!!!

E VOCÊ??


O piloto de caça é uma elite à parte , não que outros pilotos não sejam bons, corajosos, idealistas, vibradores, etc. Que não nos leiam as autoridades mas acho que o piloto de caça voaria até de graça. Mais ou menos como o piloto de aerodesporto que paga para voar.

Não seria justo usar isto como argumento para baixar o soldo deles que é igual para todos, mesmo para os que nem gostem de voar.

Na minha época os pilotos de caça ganhavam menos do que os demais pois eles suplementavam o soldo “esmirrado”com diárias fora de sede e nós, como não viajávamos, fazíamos acrobacias com o soldo para pagar as contas todo o mês.

A aviação de caça, elite de qualquer força aérea do mundo, sobrevive e é o que é, pelo espírito de corpo que une, nos esquadrões , desde o soldado até o comandante.

A tradição dos esquadrões de caça brasileiros remonta à época da criação da Força Aérea Brasileira.

O Iº Grupo de Caça, baseado em Santa Cruz-RJ, foi à Itália junto com a FEB, escrevendo belas páginas de heroísmo e coragem, integrando os Comandos Aliados, atuando principalmente na região do Vale do Rio Pó.

Já o ESQUADRÃO PAMPA, o 1º/14º GAV, hoje sediado na Base Aérea de Canoas, teve sua origem numa unidade do Exército Brasileiro, o 3º Regimento de Aviação do Exército, com sede em Santa Maria-RS, criado em 29 MAR 34. Neste Regimento, em 27 AGO 44, nesta época já sediado em Canoas-RS, foi criado o 1º Grupo de Bombardeio Leve e o 3º Grupo de Caça. Em 1946 foi criado o 4º Grupo de Caça que , fundido com o 3º, em 1947, deu origem ao 1º Esquadrão do 14º Grupo de Aviação.

Minha vida de piloto de caça começou em Santa Cruz mas foi no “Quatorze” que fiz meus últimos vôos na aviação militar. Recentemente estive lá, a convite do T. Cel Av. Silva Lobo.

Fui com o Laerte Gouveia, eu para voltar a sentir o “espírito da aviação de caça” 18 anos após ter deixado a BACO, e o Laerte para conhecer um esquadrão modelo da FAB e romper pela primeira vez a barreira do som a bordo de um F-5.

Muitas coisa mudaram nestes 18 anos, menos a vibração dos pilotos e o “espírito” que continua o mesmo dos meus tempos. 

O que mudou foi para melhor. Embora o nº de horas voadas por ano por piloto seja quase o mesmo, os pilotos de hoje estão mais bem preparados do que antigamente.

Há hoje uma maior troca de experiências e um melhor preparo intelectual dos pilotos.

Vários dos que encontrei no 1º/14º haviam feito cursos junto a outras forças aéreas, cursos de especialização que antes não existiam.

Desde 1994 esquadrões de F 16 da USAF tem vindo ao Brasil para operações conjuntas e este ano a Força Aérea Francesa mandou seus Mirages para exercitar-se em Natal-RN, trocando experiências com os pilotos da nossa ALADA e do 1º/14º GAV.

Um esquadrão é o espelho de seu líder, o comandante. O Silva Lobo soube, com sua liderança e vibração, conduzir o Esquadrão Pampa para um lugar de destaque entre os esquadrões da FAB.

O 1º / 14º conta com a hospedagem da BACO-Base Aérea de Canoas, hoje comandada pelo Cel. Av. Burnier que foi piloto do Esquadrão entre 1974 e 1981, comandou este esquadrão em 91 e 92 e hoje dá o apoio às unidades lá sediadas.

Passei bons momentos convivendo com aquele punhado de militares ( alguns até remanescentes da minha época e ex-comandados) que honram a farda que vestem e passam esta vibração aos que por lá são recebidos. Saí de lá satisfeito com o que ví.

Voltei duas semanas depois para assistir a solenidade onde o T.Cel Av. Silva Lobo passou o comando desta unidade tão especial da FAB, para o T. Cel Av. Chaves, gaúcho de Lajeado e que saberá, com toda a certeza prosseguir com o belo trabalho desenvolvido por seu antecessor.

Aliás a magia daquele esquadrão é tão forte que o Silva Lobo, um autêntico filho do “Vale do Pó”, como são conhecidos os integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça, diz hoje que “é Pampa desde pequenininho”. Virou casaca mesmo.

A missão de superioridade aérea é o principal objetivo dos Pampas. Guardar as fronteiras do nosso espaço aéreo é o seu trabalho. Manter seus pilotos adestrados é o dia a dia do esquadrão. Mas por vezes realizam missões que nada tem a ver com o treinamento militar.

Certo dia uma aeronave Boeing acusou a perda da indicação de velocidade na chegada à P. Alegre. O APP- PA acionou o Esquadrão Pampa, que mantém permanentemente uma aeronave de alerta, e um F-5 decolou de Canoas para interceptar o Boeing em apuros. 

Após encontrá-lo a 30000 pés, voou com ele até o pouso em P. Alegre, servindo-lhe de referência para a velocidade. O piloto era o então Cap. Burnier.

E assim o Esquadrão Pampa vai escrevendo sua história nos anais da Força Aérea Brasileira.

 

 

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