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Reportagens


KITE SURF- POR VEZES VOANDO RASANTE

Da minha varanda ficava admirando aquelas velas coloridas no seu vai e vem, hora contra hora a favor das ondas, orçando ao máximo para não sair da “arena”, pedaço de mar em frente à área reservada pelo Salvamar e destinada à pratica do Kitesurf. 

Para quem ainda não conhece trata-se do mais novo esporte, náutico quase que o tempo todo mas aero por alguns efêmeros instantes.

É praticado com uma pipa (kite) que “reboca” o esportista que desliza sobre a água apoiado numa prancha semelhante a usada na prática do wakeboard ou do surf, aliás, uma mistura de ambas. Um trapézio é usado na cintura para prender o kite e uma “barra” de comando para receber as linhas em número de quatro, duas em cada “tip”(uma na ponta e outra no bordo de fuga).

A pipa é comandada da mesma forma que os parapentes são comandados por seus pilotos e os pára-quedas pelos pára-quedistas, ou seja, puxando o “batoque” que freia e baixa aquele lado da vela.

O kite inflável é o mais comum. Embora se parecendo com um parapente, mantêm-se aberto pela força de uma célula, em forma de um cilindro, inflada e que forma o bordo de ataque, parte anterior da vela. Possui somente uma camada de tecido e a forma aerodinâmica é dada pelas talas também infláveis. Os parapentes possuem duas camadas de tecido divididos em células e ficam inflados mantendo seu formato pela ação do ar que entra pelas “bocas” das células no bordo de ataque e forma seu “perfil” aerodinâmico. Os kites tipo Foil usam o mesmo sistema.

A técnica de velejar num kite consiste em, com o vento pelas costas(de cauda aeronauticamente falando ou de popa se usarmos a fraseologia náutica), comandar o kite para que permaneça na “zona de pressão” localizada num espaço que vai desde a frente do “kitesurfista” até 30 graus para o lado ou, como dizem os instrutores, das 12 até as 9 horas quando o kite está na esquerda e das 12 até as 3 horas quando o kite está na direita. O kitesurfista estaria teoricamente sobre o número 6 do relógio.

Além de velejar, o kite permite que sejam feitas muitas manobras, a maioria associando o surf com pequenos vôos obtidos quando o kite cruza as 12 horas na troca de lado ou “transição”. 

O treinamento é iniciado na areia da praia, com um pequeno parapente utilizado para se aprender como usar os comandos. Em seguida passa-se para um pequeno kite ( com o bordo inflado) de apenas 8 pés de comprimento. Com ele treina-se o domínio dos movimentos fazendo-o “passear” pela área de pressão (das 12 até as 9 ou 3 horas).

Quando os movimentos estiverem sob controle, treina-se a decolagem e o pouso do kite que é feito com a vela na lateral (90 graus) à esquerda ou à direita.

Dali, após treinar os mesmos exercícios com um kite equipado com linhas maiores, passa-se para a água onde o treino consiste em deixar-se arrastar sem a prancha ( body drag) comandando o kite na sua área de pressão e aprendendo a re-decolar o kite dentro d’água, além de treinar os procedimentos de recuperação da prancha perdida, etc.

Depois disto é colocar a prancha nos pés e aprender a navegar. Orçar, ou navegar contra o vento é o maior desafio. Quem não aprende fica arribando e se afastando da área o que o obriga a voltar a pé.

O kitesurf é praticado em todo o litoral brasileiro e mesmo em locais onde o mar passa longe. Basta haver uma superfície de água bem espaçosa e vento, muito vento, e teremos uma área adequada à prática do esporte. 

Pelo estilo da “velejada” se pode adivinhar a origem do kitesurfista: os oriundos do parapente usam er abusam do “vôo” nas transições, já os surfistas ficam pegando onda na rebentação.

Num “point” de kitesurf encontra-se esportistas vindos de todas as áreas, principalmente do surf, Windsurf, voadores de asa e de parapente e aviadores em geral.

Meu filho Yuri e eu já estamos aprendendo. Meu neto Kevin já domina o “kite” na areia. Aguarda apenas o tempo passar para que atinja a idade adequada. Seus nove anos de idade não lhe dão a maturidade exigida para a prática do esporte que, se não for praticado “comme il faut” poderá ter conseqüências desastrosas uma vez que envolve riscos pessoais e para terceiros. Um bom curso e a seriedade no cumprimento das “regras” do esporte são a garantia de uma velejada segura.

 

 

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