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Reportagens


UM RUSSO ENFEZADO

Em Junho de 1992 fui convidado por um colega da FAB a “voar um ultraleve russo que estava chegando ao Brasil”. Aceitei, pois acho que qualquer aeronave que decola, faz curvas e pousa, não é ruim e merece pelo menos um vôo. Ruim seria se não decolasse. Confesso que não estava entusiasmado pois já havia visto um desenho e o aspecto não empolgava.

Quando vi a máquina sendo montada mudei de opinião ao constatar a sua robustez e a qualidade aeronáutica de sua construção. Após o primeiro vôo foi paixão imediata, tanto é que me tornei o piloto de demonstração da Sinos Corporação Aeronáutica Ltda., que representava a AVIATIKA no Brasil.

Voei o BABY-MIG, como foi chamado, por um ano e meio e saí quando a Sinos, por erros administrativos, deixou de entregar várias aeronaves vendidas e pagas, deixando vários clientes no prejuízo.

Neste ano e meio devo ter voado umas 300 horas nos MAI 890, em viagens e demonstrações de acrobacia. Só num deles voei 150 horas sem nunca ter tido uma pane.

Fui voando do Rio de Janeiro a Catanduva-SP, passando por Resende, São José dos Campos, Campinas, Pirassununga e São Carlos mas a melhor viagem foi Mossoró-Natal-Fortaleza, pela beira da praia enfrentando aqueles ventos do Nordeste. A maquininha não deu a mínima importância para o vento e para a turbulência.

Também, com aquela estrutura e comando efetivos, dá para enfrentar qualquer “porradaria”.

O MAI 890 permite ao piloto com mínimo experiência em vôo acrobático, aventurar-se em alguns loopings, parafusos, tunôs e hammerheads, pois é praticamente inquebrável em vôo e qualquer manobra errada nunca levará o piloto a uma situação de perigo. Mesmo com o motor a pleno e nariz pra baixo, demora a atingir a VNE e mesmo que a “puxada” para sair do mergulho seja “na tosquidão”, seu limite de “G” não será ultrapassado.

O único “risco” é estolar no dorso e ter o Rotax 582 apagado por causa do carburador (já existe o kit para vôo invertido). Se acontecer, é só dar um “PRIMER” e acionar o starter, ou então pousar sem motor. Nas minhas demonstrações, após acabar a sequência, eu ganhava altura, cortava o motor, fazia um tunô barril, umas “pernas” de oito preguiçoso e pousava sem problemas.

Hoje tem sete deles no CEU - Clube Esportivo de Ultraleves no Rio, e em Fortaleza Curitiba, Brasília, Goiânia e Natal tem um cada. Muitas pessoas têm tentado achar o representante no Brasil, interessadas na aeronave. Hoje a situação está indefinida mas os interessados poderão fazer contato com a R.G. ALBRECHT (021-262.0487) pois talvez logo tenhamos notícias.


FICHA TÉCNICA

Aeronave biplana, toda construída em alumínio aeronáutico. Asas enteladas, trem de pouso em titânio altamente resistente. Comandos de aileron e profundor por tubos e de leme de direção por cabos.

Peso Vazio205 Kg

Peso Máximo de Decolagem315 Kg

Velocidade Mínima55 Km/h

Velocidade de Cruzeiro100 Km/h

VNE160 Km/h

Capacidade Tanques50 lt

Consumo17 lt/h

 

 

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