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Reportagens


O HANGAR DOS SONHOS

Todo aviador tem a “aeronave dos seus sonhos” e eu também. Agora, ser proprietário de tantas aeronaves que um hangar de 20x40m fique pequeno e insuficiente para abriga-las todas, acreditava só ser possível em sonhos.

Em Amarais (SDAM) porém, existe tal hangar e lhes confesso que já fiquei horas debruçado no parapeito do escritório que fica no mezanino admirando sua “frota” constituída de aeronaves que certamente povoam os sonhos de muitos aviadores. Os 3 North American AT-6 que hoje voam com o patrocínio da OI e que já foram do famoso Circo Aéreo ONIX, junto com o Beech H18 vermelho flamejante, são os que mais chamam a atenção e enfeitam o hangar. O T6 #1 (PT-KRC) é verde e com ele o Carlos Edo lidera a Esquadrilha Oscar Índia. O #2 (PT-LDQ) é roxo e nele o Laerte Gouvêa já voou em muitas demonstrações. O #3 (PT-LDO) é laranja e nele eu vôo. O #4 é o PT-DHI que na foto está vermelho mas na realidade é degradee indo do amarelo ao vermelho. Trata-se de um Beech 18 e seu piloto era o Marcelo Jorge que agora está dando lugar ao Hernani pois vai assumir o T6 #4 que está sendo concluído e voará de ferrolho. Estes são os aviões da Extreme Demonstrações Aéreas.

Completam a frota um C-170 (PT-AGB) do Edo e do Donovam e um C-310 (PT-KLS)que, junto com o Bandeirante (PT-EDO) equipam a Extreme Táxi Aéreo Ltda. O Cessna 310 foi vendido pelo Edo para o Falco da OI. Recentemente o Edo comprou um C 150 Aerobat que não saiu nas fotos.

Hangares, como as casas, tem muito do “espírito” do dono. O Hangar José Ângelo Simeoni não poderia ser diferente, e tem a cara dos donos que são a Mônica e o Carlos Edo, conhecidos e queridos de todos os amantes da aviação desportiva, da qual são dignos representantes.

A homenagem ao Simeoni é justa pois ele, o “Gordo” foi quem começou e inspirou esta idéia de CIRCO AÉREO. Ele tinha um hangar neste gênero lá em Lençóis Paulista que visitei em 1980 e poucos, levado pelo Vilarinho, atual Cmte de Airbus na TAM, na época Cap Av da FAB. Lá o aerodesporto era praticado na sua essência: voava-se pelo prazer de voar.

Eram pilotos de acrobacia e paraquedistas, amigos do “Gordo”, que curtiam a vida nos fins de semana voando T6 e PT-19 e saltando de um Beech 18. À noite jantavam todos na casa do anfitrião para repetir tudo no dia seguinte.

Lá eu conheci o Edo num sábado à tarde. No dia seguinte solei o KRC , ato irresponsável do “Cachorron” que, após pedir ao Simeoni para me dar um duplo de pousos me largou só.

Hangar não é simplesmente um “galpão” para abrigar aeronaves, embora alguns o sejam. Tem hangares que até parecem com um hospital ou cemitério, cheios de carcaças e restos de aviões, mas não é destes que estou falando.

Falo daqueles que tem uma “alma”, onde se respira aviação e onde o avião é tratado com o respeito que lhe é devido. Hangares deste tipo pode-se encontrar onde existem “aviadores” como responsáveis, como lá em Belém Novo, no ARGS, ou em Americana, na EAA, onde o chão é pintado de azul e é tão limpo que dá pra sentar entre os aviões e fazer um piquenique.

A sala de pilotos do Hangar Ângelo Simeoni mostra os mais de vinte anos desta “dupla” que fez do aerodesporto sua vida. São muitas placas e homenagens pela participação em eventos de todos os tipos. A história deles pode ser vista no site www.circoaereo.com.br .

Na cobertura fica o lugar das festas. Num lugar gostoso de se ficar, a churrasqueira que, a qualquer hora pode entrar em ação, ocupa lugar de destaque ao lado do freezer que está sempre abastecido.

Com tudo isto mais a simpatia dos proprietários, cada visita é uma festa.

 

 

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