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Cronicas


ACROBACIA AÉREA. O QUE É ISTO???

Para muitos, não passa de "maluquice" feita por alguns pilotos doidos ou "piruetas" como já ouvi falar.

Para os "cambalhoteiros" que antigamente encantavam o público em "festas aviatórias" com seus vôos acrobáticos e rasantes sobre os expectadores, era uma diversão.

Pela IMA 100-12 da DEPV, vôo acrobático é: "manobra realizada intencionalmente com uma aeronave que implica em mudanças bruscas de altitudes, vôo em atitudes anormais ou variações anormais de velocidade."

Hoje a acrobacia evoluiu, os aviões evoluíram e os pilotos também.

Os antigos cambalhoteiros transformaram-se em "Pilotos de Demonstração Aérea" e a maioria destes participa de campeonatos de acrobacia.

A mudança mais radical foi na mentalidade hoje implantada: O melhor piloto de acrobacia é aquele que executa a manobra com maior perfeição e não aquele que mais assusta os expectadores e que corre o maior risco.

A acrobacia aérea é a essência da arte de voar. Uma manobra bem executada é como um passo de ballet e um vôo acrobático transforma-se num ato de amor ao vôo. Manobras ousadas?? sim!!, perigosas??? Jamais!!!

Muitos acidentes já ocorreram devido à timidez dos pilotos no comando das aeronaves. É natural que um piloto com pouca experiência de vôo não tenha a mesma "intimidade" com a aeronave do que um piloto antigo, intimidade esta que só será conquistada à medida que o convívio de várias horas de vôo permita que o piloto conheça melhor a máquina. O grau de intimidade pode até ser medido. Por exemplo:

Quando o piloto chama a aeronave de "V.Exa" demonstra conhecê-la pouco, ao contrário daquele que a trata por você.

A aeronave, como a mulher, diriam os antigos machistas, “deve ser tratada com carinho porém com firmeza”.

A instrução primária dada na maioria dos aeroclubes, devido ao reduzido número de horas disponíveis (35 horas), é restrita ao vôo normal e às manobras básicas de vôo que permitem ao futuro piloto decolar, voar em cruzeiro e pousar com segurança, desde que nada de muito anormal ocorra no vôo. São pouco treinadas as recuperações de atitude anormal, pousos e decolagens em condições adversas normalmente são evitados, raros vôos em condições de turbulência moderada ou severa são realizados, embora tais condições possam ocorrer sem a intervenção da vontade do piloto.

Ah!! - diriam alguns - Mas o bom piloto sabe evitar estas condições desfavoráveis!! Sim, mas quantos "bons pilotos" já não foram surpreendidos em vôo por uma entrada de CB tendo que pousar sua máquina com ventos fortes e de direção variável, ocasionando "tesouras de vento" que parecem deixar o avião sem comando??

Quantos pilotos já não tiveram um frio no estômago e as mãos suadas ao pegarem uma turbulência do avião à frente numa decolagem ou final para pouso??

O uso do avião nos seus limites permite ao piloto apressar o seu conhecimento sobre o mesmo, dando-lhe autoconfiança, e a acrobacia aérea é o melhor meio para se atingir este objetivo pois, num curso específico e bem aplicado, são ensinados ao aluno todos os tipos de estóis, parafusos e tunôs, são treinadas manobras que colocam a aeronave em todas as atitudes possíveis, desde 90 graus picado à 90 graus cabrado, inclinações laterais do vôo normal ao dorso, passando pelo vôo de faca, etc.

O desenvolvimento da auto confiança é fundamental para que o piloto em comando realmente "COMANDE" a aeronave e saiba recuperar das inúmeras situações anormais que podem ocorrer num vôo.

Acho que todo piloto deveria fazer, pelo menos, as cinco horas de acrobacia básica. Depois, os que gostarem e “levarem jeito”, poderão aventurar-se em vôos mais ousados.

 

 

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