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Aventuras


UMA CAÇADA COM O JOÃO BORGES

Uma fazenda onde se pode praticar a caça sem que isto constitua um “crime ambiental”. Existem algumas aqui no Brasil, apesar do IBAMA e de seus fiscais, e eu conheci uma delas. 

A região é lindíssima e a área de 1200 ha é perfeita tendo um relevo adequado e uma vegetação farta onde criam muito gado, além das espécies próprias para a caça.

Cervos são criados e soltos nas matas. Os javalis eram criados em cativeiro mas agora são criados soltos nas matas, lagos e no rio que corta a fazenda. Juntam-se a eles os porcos alongados e os javaporcos. Porcos alongados são porcos selvagens. Existem na região a mais de 50 anos quando eram criados pelos safristas que ocupavam o Norte do Paraná e, fugidos, passaram a viver e a se reproduzirem nas matas da região. Ao “cruzarem” com os javalis soltos pelos proprietários da fazenda, deram origem aos mestiços “javaporcos”. Os faisões e patos lotam os enormes viveiros.

Na fazenda existem duas enormes casas destinadas a hospedar as pessoas que lá vão à procura de carnes exóticas mas com gosto de aventura: os caçadores. Cada casa tem quatro suítes, uma bela varanda com uma vista lindíssima, uma sala de estar com lareira e uma de jantar onde tem fogão à lenha e churrasqueira e são servidas por duas simpáticas moças que além de manter tudo arrumado, preparam ótimos almoços e jantares.

Quem se dispuser a ir caçar poderá levar suas armas, munição, cão de caça, etc. Aos mais acomodados, tudo isto pode ser alugado ou comprado por lá mesmo.

Os guias estão sempre disponíveis para sair para uma caçada e na volta ainda limpam a caça e tratam de coloca-la no freezer para conservação.

A condução para ir até o campo de caça eles providenciam, assim, se pode ir até lá voando e pousar na ótima pista gramada de 800 m de extensão.

Eu fui num C-180 a convite de um amigão que também é amigo do dono da fazenda. Levamos as armas mas compramos a munição por lá( R$50,00 a caixa de cartuchos 12) e usamos os cães deles (US10.00 por dia). A hospedagem com diária completa fica em US50.00 e valeria a pena mesmo sem caçada, apenas pela beleza do lugar, a excelente comida e o carinho com que os hóspedes são tratados.

Antes da hora marcada para a caçada do faisão o pessoal da fazenda solta as aves num determinado campo. No momento de soltar os faisões eles colocam as aves deitadas com a cabeça sob a asa pois desta forma eles não se assustam e saem voando. Com o tempo e o silêncio, as aves levantam e começam a andar mas normalmente permanecem na área em que foram soltas.

Os guias levam o caçador até o campo e lá soltam o cachorro que sai em disparada a procura das presas. Quando fareja um faisão ele para de correr e, abanando o rabo, segue a trilha. Nesta hora o caçador deve chegar junto pois, a qualquer momento, o cachorro vai “amarrar” a presa, ou seja, pára com o rabo esticado e aguarda a ordem para avançar.

Dada a ordem ele salta em direção ao faisão que decola em fuga. A direção do vôo é sempre afastando-se do cachorro mas isto pode ser um pouco vago permitindo direções que variam até 120 graus. O caçador deve estar atento e pronto para atirar em qualquer direção neste ângulo.

As aves mais novas e menores saem bem mais rápidas do que as maiores e mais pesadas, mas nada a se comparar com uma perdiz que é bem mais veloz.

Esta era minha primeira caçada mas até que me sai bem. Como experiência anterior, havia feito “tiro aos pratos” muitos anos atrás e uma vez caçado perdizes. No primeiro dia matei oito das dezoito caçadas. É bem verdade que o João estava em desvantagem pois andava num pônei para poupar os joelhos que lhe incomodam muito, mesmo depois de operados, e com isto perdia a mobilidade.

A preferência do tiro era do João. As armas eram semelhantes: espingardas de cano duplo calibre 12 e usamos chumbinho 7,5. Eu estava junto só para aprender os macetes. Meu primeiro tiro foi dado quando a cadela Kurzhaar, “amarrou” um faisão longe da gente e o João me falou para ir até lá e tentar acerta-lo. Fui e acertei no primeiro tiro. Aí ele se empolgou e mandou eu atirar noutro e acertei novamente. Dali pra frente dividíamos: quando ele errava o primeiro tiro eu mandava bala, digo, chumbo e quando eu errava ele dava cobertura acertando por mim. Formamos uma boa equipe.

Foram mais de duas horas de caminhada em passo acelerado, ao final das quais já havíamos “varrido” todo o campo, “levantado” uns vinte e tantos faisões e abatido dezoito deles.

Passamos na sede para deixar os faisões e trocar a cadela pelo Whisky, outro Kurzhaar especializado na caça ao pato.

Nos posicionamos sobre a taipa de uma pequena represa por onde os patos que seriam soltos pelo pessoal da fazenda deveriam passar.

Desta vez o trabalho do cão era o de buscar os patos abatidos. Eles eram soltos antes do lago e vinham em vôos alternados, ora rasantes ora mais altos mas sempre velozes. Demorei um pouco a me adaptar a este tipo de caçada mas no final já estava descobrindo qual a antecipação que deveria dar para acertar o alvo.

Conseguimos dezessete patos num total de vinte e cinco soltos.

Não quisemos caçar javalis. A caça destes animais é feita na base da “tocaia”. O caçador fica no “olheiro”, uma espécie de posto de sentinela construído nos pontos onde habitualmente os animais vem beber água ou na “ceva”, local onde colocam sua ração diária, e aguarda a chegada da presa. Atira-se com rifle dotado de mira telescópica de calibre 7mm, normalmente, pois o objetivo é abater a presa com um único tiro evitando o sofrimento da mesma. Esta é a razão de se utilizar balas de alto poder que causam a morte instantânea.

Junto com eles vem os porcos alongados e os javaporcos, causadores de grandes prejuízos 

para os agropecuaristas da região ao atacarem as plantações.

Os cervos são caçados também no final do dia quando eles saem do mato para se alimentarem. A tocaia é a melhor maneira de caça-los e a arma também é o rifle. 

Ainda caçamos faisões na manhã seguinte e resolvemos voltar para casa a tarde devido ao nevoeiro que estava acontecendo pela manhã e que nos retardaria a saída.

Ao decidirmos voltar para casa pedimos ao funcionário da fazenda para colocar nossas presas, trinta e três faisões e dezessete patos, nas três caixas de isopor que o João levou.

Por tudo isto gastamos dois mil reais. Pretendo voltar lá mais vezes pois além de gostar da caçada, saborear o seu produto é muito bom.

 

 

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João Borges e eu na volta da caçada
depois da caçada de marrecos
os faisões da primeira caçada
um dos cães que alugamos para caçar
No jantar na casa do casal que é dono da fazenda
o visual do chalé onde ficamos hospedados
O Cessna do Joao com o qual voamos até o Paraná